um homem culto

O homem culto é aquele que sabe encontrar um significado bonito para as coisas bonitas. Para ele a esperança é um fato real.

Visitantes.

quarta-feira, agosto 03, 2011

CRIAÇÃO DO TERRITÓRIO DO IGUAÇU EM 13 DE SETEMBRO DE 1943

CRIAÇÃO DO TERRITÓRIO DO IGUAÇU EM 13 DE SETEMBRO DE 1943

Foto abaixo: Palacio do governo do Território do Iguaçu (Laranjeiras do Sul)

Construções de moradias para os governantes.
Em 13 de setembro de 1943 foi criado o território do Iguaçu, em cuja área se incluía a do atual município de quedas do 19uaçu, sendo Laranjeiras do Sul escolhida para ser capital da nova unidade federada. No
entanto o território Federal do Iguaçu foi Logo extinto, e a região passa a pertencer novamente ao estado do Paraná. No ano de 1946, com a emancipação política de Laranjeiras do sul, o povoado dos poloneses passa a integrar seu município, porém com denominação alterada para Campo novo.
Clevelândia, Foz do Iguaçu, Mangueirinha, no Paraná e o município de Chapecó, em Santa Catarina.
Das barrancas do rio Paraná, o Território Federal do Iguaçu, abrangia toda a extensa região que vai até as margens no rio Uruguai. O parágrafo 5° do artigo 1° decreto-lei n° 5.812, de 13 de setembro de 1943, definia os limites no territ ório federal do Iguaçu, desta forma: Ao norte, nordeste, leste e sudeste, do rio Ivaí, desde a sua foz no rio Paraná e até a confluência do rio Tapiracui, subindo por este até a foz do Arroio ,Saltinho e por este as suas cabeceiras, daí numa linha reta e seca até as nascentes do rio do Areia, descendo por este até a sua foz no rio Piquiri, subindo por este até a foz do rio Cascudo e subindo por este até as suas nascente e daí por uma linha seca e reta até as até as cabeceiras do rio Guarani, descendo por estes até a confluência com o rio Iguaçu, sobe por este até a foz do rio Butiá, sobe pelo rio butiá até as suas nascentes, de onde segue em linha retas até as cabeceiras do Lajeado Rancho Grande,descendo por este até a sua foz no rio Chopin,descendo até sua foz no rio das Lontras e subindo por este até suas nascentes no morro das Balisas no Divisor de água entre os rios Uruguai e Iguaçu, pelo qual Divisor prossegue até encontrar as nascentes do lajeado Santa Rosa, descendo por este até a sua foz no rio Chapecó, ainda subindo por este ate a foz no Lajeado norte, pelo qual prossegue até, as suas nascentes e daí, até as cabeceiras no Lajeado Tigre, e por este abaixo até a sua foz no rio Chapecozinho, descendo por este até a foz no Lajeado Paulo, subindo pelo Lajeado Paulo,ás suas cabeceiras, daí em linha reta as cabeceiras do Lajeado Torto, por este até a confluência no rio Ressaca, descendo por este até a foz no Irani, e descendo por ate a sua foz no rio Uruguai.
O Território Federal do Iguaçu foi criado em 13de setembro de 1943 a capital foi instalada em Laranjeiras do Sul em 7 de setembro de 1944, extinta em 18 de setembro de 1946, assinado por Getulio Vargas o decreto presidencial de n° 5812 criava o Território Federal do Iguaçu, no dia 13 de 09 de 1946 e foi extinto no dia 18 do mesmo mês de 1946. O território abrangia – Oeste, sudoeste e parte de S. Catarina.
O sonho acabou não tinham lide! Es políticos que pudessem se impor contra a extinção do território e a bancada federal era praticamente favorável ao fim da Unidade Federada.
Para a população de Laranjeiras, a capital, a extinção do território foi uma surpresa e pôs fim as suas esperanças de progresso e de uma vida melhor,

COMPANHIA DE ESTRADA DE FERRO SÃO PAULO RIO GRANDE - 1887 - QUEDAS DO IGUAÇU

COMPANHIA DE ESTRADA DE FERRO SÃO PAULO RIO GRANDE - 1887 - QUEDAS DO IGUAÇU
A ferrovia do contestado tem mais de um século de história. O resumo histórico da Estrada de ferro São Paulo Rio Grande, no vale do Rio do Peixe, tem marcos revelantes, que assim podem ser pontuados:
1° Em 1887, o engenheiro João Texeira Soares projetou o traçado da estrada de ferro com 1.403 Km de extensão, entre Itararé {São Paulo} e Santa Maria [RS], para ligar as provícias de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul pelo interior,Possibilitando a ligação da então capital Federal [Rio de Janeiro] às regiões fronteriças do Brasil com Argentina e o Uruguai.
2º Em Santa Catarina, a ferrovia atravessava o meio-Oeste, na sua parte mais estreita, entre o Rio Iguaçu [ao Norte] e Uruguai ao [Sul], marginando o Rio do Peixe em ¾ da sua extensão, assim cortando o território conhecido como “Contestado”, na época objeto da Questão de limites Paraná-Santa Catarina. 3° A 9 de Novembro de 1889, seis dias antes da Programação da R epública, o Imperador D. Pedro 11 fez a concessão desta estrada-de-ferro a texeira Soares, ato que foi ratificado a 7 de abril de 1890 pelo Marechal Deodoro da Fonseca, chefe do Governo Provisório da República.
4° Para levantar o capital necessário à construção, junto a investidores europeus, em 1890 Texeira Soares criou a Companhia Chemins de Fer Sud Oest Brasilienses. Já em 1891, a concessão do trecho Itararé Rio Uruguai foi transferido para a companhia União Industrial dos Estados do Brasil. A seguir , em 1884, esta concessão passou a outra empresa, a companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. O trecho do Rio Uruguai a Santa Maria permaneceu com a companhia Chimins de Fer, o qual em 1896 foi privatizado pelo Estado do Rio Grande do Sul.
5° Somente em 1895 foram aprovados os estudos definitivos e completos da ferrovia entreguem a Cia. São Paulo-Rio Grande [EFSPRG], num total de 941,88 quilômetros de extensão, entre Itararé [SP] e o Rio Uruguai. A construção começou no sentido norte-sul em 1897, e o trecho de 264 km entre Itararé e o Rio Iguaçu [em Porto União], Foi concluído em 1905. 6° Em 1907 teve início a construção dos primeiros 50 km, do trecho no Território Contestado, de Porto União em direção ao Sul, suspensa em 1908. Pela demora, neste ano, a Cia. São Paulo-Rio Grande recebeu ultimato do governo federal para concluir toda a extensão até o Rio Uruguai, em dois anos, sob pena de perda da concessão.
7° Em 1908, o empregador norte-americano Percival Fargunhar assumiu a concessão, integrando a Companhia Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande à holding Brazil Railway. Esta mesma holding havia criado a Southern Brazil Lumber & Colonization Company em três Barras, para a exploração da madeira na floresta da Aurocária na região.
8° A empresa contratou o engenheiro Achiles Stenghel para a ousada empreitada, e este chamou mais 4.000 homens assim tendo sido recrutado um total de 8.000 trabalhadores em todo o pai, inclusíve, no exterior, que foram distribuídos ao longo dos 372 quilômetros do traçado. 9° O primeiro trecho, em 110 km entre Porto União e Taquaral \liso, passando pelas estações de São João [Matos Costa] e de São Roque [Calmon], foi inaugurado em 3 de abril de 1909 pelo Presidente da República, Afonso Augusto Moreira Penna, no local onde foi construída a Estação Presidente Penna [existe até hoje]
10º A 1° de maio de 1910, foram inauguradas as estações de Rio Caçador, de Riu das Antas, de Rio das Pedras [Videiras]e de Pinheiro Preto. Em 1° de Setembro deste ano, inauguraran-se as estações de Rio Bonito[Tangará], Barra de São Bento[Luzerna] e de Erval [Erval do Oeste e Joaçaba]. A 20 de Outubro. Foi aberta a estação de Rio Capinzal {Capinzal e Ouro} e no dia 29 do mesmo mês as estações do Rio do Peix[Piratuba e Pira], Volta grande do Rio Uruguai. No Outro lado do Rio, as estações de Marcelino Ramos Foram inauguradas a 29 de Outubro. 11. Concluída a ponte provisória [de madeira] sobre o Rio Uruguai, a Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, foi solenemente inaugurada dia 17 de dezembro de 1910. Mas, a ponte foi levada pela enchente de maio de 1911 e a nova, metálica, somente ficou pronta em 1912[a mesma que existe até hoje], possibilitando então, finalmente, o tráfico de trens entre os quatro estados do Sul. 12. A epopéia liderada por achiles Stenghel em Santa Catarina resultou na construção de 15,5quilômetros de trilhos por mês, ou seja, 516,6 metros por dia, utilizando 8.000 mil trabalhadores, os quais, na enexistência de maquinaria, usaram as mãos, pés, picaretas, enxadas, dinamites e carrinhos-de-mão para erguer a sinuosa linha no Vale do Rio do Peixe, ao custo de 30 mil contos de réis ou, seja, pouco mais de três milhões de libras esterlinas, um valor três vezes superior ao inicialmente previst[de11.160] contos de réis para o trecho.
13. Como para construção a União garantiu a companhia uma subvenção de 30 contos de réis por quilômetros construídos e mais o pagamento de juros de 6% ao ano sobre o total investido, a empresa alongou o máximo a linha, por curvas desnecessárias, assim economizando[e lucrando]em obras de artes,aterro, pontes, viadutos e túneis não construídos.” Por isso, diz-se que a estrada foi” construída por metro”.
14. Nas proximidades do único túnel construído no trecho, [100 metros], na época em Pinheiro Preto, em outubro de 1909 aconteceu o primeiro assalto a um trem-pagador no Brasil, quando o bando de Zeca Vacariano matou os guardas e roubou trezentos contos de réis. 15. A Cia. EFSPRG construiu uma subsidiária, a Brazil Development & Colonization Company, para promover o loteamento e colonização das terras marginais aos trilhos com imigrantes europeus, iniciando ainda em 1910 pelas estações do Rio do Peixe [Piratuba] e de Rio das Antas. Os planos foram interrompidos em 1914, por causa da 1° Grande Guerra Mundial, na Europa, e pela deflagração da Guerra do Contestado, aqui.
16. De acordo com os termos da concessão, a empresa ganhou do governo um total de 15.894Km2 de terras, que deveria vender a título de colonização. Pelo trecho catarinense no Contestado, a EFEPRG recebeu 6.696Km2 de terras, equivalente a 276,694 alqueires.
17. Depois da guerra do Contestado e depois da assinatura do Acordo de Limites entre Paraná e Santa Catarina, em 1917 fora retomados os planose de colonização, desta vez, por intermédio de empresas colonizadouras [gaúchas] particulares,,que compraram da Cia. EFSPRG grandes árias e as dividiram em colônias.
18. as terras, nas grande maioria, fora ofertadas a colonos italianos,alemães e poloneses das colônias Velhas do Rio Grande do Sul, já descendentes dos imigrantes pioneiros. Estes ingressos realizaram fluxo migratório, em levas que se estenderam até por volta de 1940.
19. Nas sedes destas colônias, apartir das estações ferroviárias, nasceram as vilas de São João [Matos Costa] , Calmon, Rio Caçador e Canteiro, Rio das Antas, Perdizes e Vitória [Videira], Pinheiro Preto, Rio Bonito[Tangará], Bom Retiro[Lucena], Erval do Oeste, Barra Fria [lacerdópulis], Rio Capinzal[Capinzal] e Ouro, Rio do Peixe[Piratuba] e Ipira, hoje importante cidade do \meio-Oeste
20. Durante anos e anos, a ferrovia foi o único meio de comunicação e transporte que ligava o Vale do Rio do Peixe ao restante do Brasil. Alem dos passageiros, ela transportava as riquezas aqui produzidas [madeiras e alimentos] e abastecia as comunidades com as mercadorias compradas nos grandes centros do país. Pela região, diariamente transitavam diversas linhas de trens o direto e o misto-inclisíve internacionais, ligando Bueno Aires ao Rio de Janeiro. As composições trafegavam à média de 20-30 km horas.
21. Domingo pela corrupção, todo o complexo da Brazil Railway havia entrado em concordata em 1917. Já em 1940, transcorrido os 40 anos do prazo da concessão dada em 1890, juntamente com todos os bens do Sindicato Falquear, o governo federal, encampou esta, estrada-de-ferro. Revertendo-a para a autarquia, Rede de Viação, Paraná-Santa Catarina, [RVPSC], a qual, em 1957, somada a outras autarquias, veio a construir a, Rede Ferroviária Federal S/A, [RFFSA], com, 100% das ações pertencentes à União.
22. A Partir de 1960, aos poucos as velhas locomotivas a vapor, carinhosamente chamadas pelo povo de “ Maria-Fumaça” foram sendo substituídas por máquinas a diesel. Com abertura de estradas rodoviárias, perdendo a competividade de fretes, também a partir de então começou a cair o movimento de trens na ferrovia do Contestado, a ponto de já nos anos 70 ser paralisado totalmente o transporte de passageiro. Sem faturamento, a ferrovia do Contestado entrou em processo de deterioração.
23. Em 1996, a malha ferroviária vinculada á Superintendência Regional [Paraná e Santa Catarina] da Rede Ferroviária Federal S/A foi privatizada, passando para empresa Ferrovia Sul Atlântico S/A, com sede em Curitiba, com a promessa de Revitalização.
24. Em 1998, a Ferrovia Sul Atlântico S/A foi transformada em América Latina Logística S/A-ALL, empresa que, desinteresando-se economicamente pela exploração do trecho, suspendeu o tráfico de trens e desativou totalmente a Linha Sul.
25. No ano de 2002, a Linha Sul, entre os rios Iguaçu e Uruguai revelou-se totalmente abandonada pela empresa ALL.

A PRIMITIVA ESTAÇÃO RIO CAÇADOR

Ao Longo do trecho da ferrovia entre o rio Iguaçu e Uruguai, a então.

COMPANHIA DE ESTRADA DE FERRO SAÕ PAULO RIO GRANDE.

Construiu diversas “estações de” parada de trem. As primeiras estações, todas de construção em madeira, obedeciam a uma planta-padrão, e eram classificadas, neste trecho, como de3º e 2º categoria. Este modelo, como a da ESTAÇÃO DE RIO CAÇADOR, era o de 2° categoria, pois alem da comodidade para os passageiros, possuía ambientes separado para cargas, e servia também de residência do Agente designado.Em dois pavimentos, com a estrutura toda em madeira de pinho e imbuia,sustentava-se em plataforma de pedras retangulares [basalto].
Entre 1908 e 1910, a cada 25 km de linha Sul, no trecho de 372 Km. Entre os rios Iguaçu e Uruguai, a Companhia Estrada de Ferro São Paulo Rio Grande construiu estações de paradas de trens, que também serviram, mais tarde, com o escritório da Brazil Devel Quedas Originam-se do latim arcaico “caeda”, que, tomba, que cai. (AGC, ABHF opment, & Colonization Com, outra subsidiária da Brazil Railway Company, para levar adiante os planos de colonização das terras marginais aos trilhos. Aqui, em 1934, a primeira estação de Rio Caçador, destruída por incêndio nos anos 40, que inspirou a construção do prédio-sede do Museu do Contestado.

HISTÓRIA DO GRUPO ESCOLAR TIRADENTES - HOJE COLÉGIO ESTADUAL PADRE SIGISMUNDO.

GRUPO ESCOLAR TIRADENTES E A NOSSA HISTÓRIA

Escola de Campo Novo [Quedas do Iguaçu] hoje Colégio Estadual Padre  Sigismundo -1965 Paulo Pimentel era governador do Estado do Paraná, Pedro Alzides Giraldi ao seu lado juntamente com vários pioneiros, alguns professores.
Faleceu sábado, 21 de julho de 2007, o ex-prefeito de Quedas do Iguaçu, detentor de quatro mandatos consecutivos: 1969/72 – 77/82 – 89/92 e 97/2000. Pedro Giraldi morreu vítima de enfarto. Ele já enfrentava problemas de saúde, ainda quando prefeito de Quedas do Iguaçu. No último mandato, gestão 1997/2000, Pedro Giraldi sofreu uma isquemia cardíaca e teve que renunciar ao mandato em favor de seu irmão, Idimir Tranqüilo Giraldi. Pedro Giraldi deixa esposa, Selga Strey Giraldi, com quem conviveu há mais de 50 anos, os filhos Eloy, Blanca, Jacqueline e Lúcia, oito netos, uma bisneta, o genro Nilson e a nora Simone. A HISTÓRIA DE PEDRO GIRALDI SE CONFUNDE COM A HISTÓRIA DE QUEDAS DO IGUAÇU. Gaúcho de Gaurama, nascido aos 2 de janeiro de 1931. No dia 18 de julho de 1964, Pedro Giraldi chega a Campo Novo, procedente de Marechal Cândido Rondon, para fixar residência e estabelecer-se como farmacêutico. Em Campo Novo, Pedro Giraldi e sua mulher, Selga são recebidos pelo Sr. Sigismundo Potulski, proprietário do Hotel Iguaçu.
Neste mesmo estabelecimento, situado na Avenida Principal (hoje Avenida Pinheirais), Pedro Giraldi monta uma pequena farmácia. Com trabalho e dedicação, valendo-se do auxílio de sua mulher Selga, Pedro Giraldi vai travando relações com os habitantes do povoado e torna-se pessoa conhecida, principalmente pela atividade de farmacêutico, atenuando ou curando doenças. Somente mais tarde, depois de muita luta, Pedro Giraldi vai se adaptando à vida na região de Campo Novo. A vinda de Pedro Giraldi para Campo Novo foi mais uma demonstração de força por parte daqueles que mais tarde seriam chamados de “emancipacionistas”.
O espírito emancipacionista dos pioneiros foi coroado de êxito com a promulgação da Lei 5.668, de 18 de outubro de 1967, que elevou Campo Novo à categoria de município, sendo o mesmo instalado em 15 de dezembro de 1968. E o movimento cumpriu seus objetivos, propiciando a criação do município de Campo Novo e, por conseqüência, o desenvolvimento e a sediação de identidade regional.
A partir daí, são convocadas eleições para a Prefeitura e Câmara de Vereadores. Intensa campanha é desencadeada no município entre os candidatos a prefeito Pedro Giraldi e Carlos Dalavecquia. A vitória esmagadora dos candidatos da Arena 1 – Pedro Giraldi e João Sobczak dão início a um governo que consegue impor ao mais novo município do Paraná, prestigio e liderança.
Em sua primeira gestão como prefeito, 69/73, Pedro Giraldi realizou uma das mais profícuas administrações. Em seus quatro anos como prefeito,
Pedro Giraldi construiu a Praça São Pedro, inaugurada em 5 de novembro de 1972, construiu o primeiro hospital, fundou o Sindicato Rural de Campo Novo e dotou o município de toda a infra-estrutura necessária, nos setores de saúde pública, educação e obras.
Em janeiro de 1977, Pedro Giraldi assume a Prefeitura pela segunda vez. Seu governo, tal qual o anterior,foi palco de notáveis realizações, destacando Quedas do Iguaçu como um dos municípios brasileiros que obteve o maior índice de crescimento nos últimos cinco anos. Foram construídos 20 mini postos de saúde no interior, 60 escolas em alvenaria e restauração de prédios já existentes. Outra grande conquista no setor educacional na época foi a implantação do curso de 2º grau.
Em janeiro de 1989, Pedro Giraldi é eleito prefeito de Quedas do Iguaçu pela terceira vez. Inúmeras obras marcaram sua terceira gestão, destacando-se a construção de 60 centros comunitários no interior e nos bairros da cidade; execução de obras de infra-estrutura urbana, aquisição do odontomóvel, pavimentação asfáltica, aquisição da casa da saúde de Curitiba, para hospedar os pacientes que precisam de tratamento especializado na capital do Estado, além de outras obras marcantes.
Fato inédito na política do Paraná: Pedro Giraldi é eleito prefeito pela 4ª vez consecutiva. Ainda assim teve que se submeter a duas eleições, porque a de 3 de outubro foi anulada parcialmente, por decisão da Justiça Eleitoral, mas a vitória na segunda eleição foi esmagadora. Triplicou o número de votos.
No seu último mandato, Pedro Giraldi conseguiu junto ao Governo do Estado, o asfaltamento da Rodovia PR 484, ligando Quedas do Iguaçu a Boa Vista da Aparecida, com conexão para Cascavel, encurtando a distância em cerca de 40 quilômetros. A instalação da Uni - quedas, através da Fundação Assis Gurgacz de Cascavel; construção de uma casa na praia, balneário Caravelas, através do programa Pro Lazer, para uso da população. A nuclearização do ensino, a melhoria da frota escolar, além de inúmeras outras obras de grande alcance social, como o pré-vestibular gratuito, o transporte coletivo urbano gratuito, o natal da família, além de outras realizações que vão ficar nos anais da história de Quedas do Iguaçu. Ao finalizar sua última gestão, quando passou o comando da Prefeitura ao seu irmão Idimir Giraldi, PEDRO GIRALDI destacou com suas palavras: “espero que este trabalho dignificante tenha continuidade, pois o pouco que realização hoje é para o amanhã dos nossos filhos e para que a nova geração do município cresça e fique mais perto do seu grande futur(matéria extraída do jornal expoente do Iguaçu.100 ANOS DE HISTÓRIA

QUEDAS DO IGUAÇU SE LOCALIZA

QUEDAS DO IGUAÇU E SUA HISTÓRIA 


LOCALIZAÇÃO:

- Micro-Região do Planalto Central Oeste do Paraná.

- Área: 878,049 Km2

- Altitude: 630 metros

- Latitude: 25° “27’20” S

(25 Graus, 27 min., 20 seg. ao Sul)

- Longitude: “52°55” W

(52 Graus, 55 min. ao Oeste/GR)

- Distância da Sede Municipal/Capital Curitiba 447 km

- Laranjeiras do Sul: 75 km

- Guarapuava: 168 km

- Francisco Beltrão: 140 k

1. NORTE - CATANDUVAS

2. NORDESTE - GUARANIAÇU

3. LESTE - ESPIGÃO ALTO DO IGUAÇU

4. SUDE

TE - RIO BONITO DO IGUAÇU

5.SUL - SÃO JOÃO E SULINA

6.SUDOESTE - SÃO JORGE D’OESTE

7.OESTE - CRUZEIRO DO IGUAÇU

8.NORDESTE – TRÊS BARRAS DO PARANÁ

CLIMA

Subtropical úmido - mesotérmico, com verões quentes e geadas poucas freqüentes no inverno, com tendências de concentrações de chuvas nos meses de verão, sem estação de seca definido. A média das temperaturas nós meses mais quentes é superior á 22°C.

VENTOS:

Pe1a posição geográfica, nosso estado normalmente se encontra sob domínio da circulação do Atlântico, representada pelo ciclone tropical marítimo (semi-estacionário) que provoca a formação de ventos do Leste, geralmente fracos. No período quente do ano (verão), a formação de chuvas, espessas e localizadas, podem ser provocadas e momentâneas, que as vezes assumem intensidade capazes de provocar danos. Os ventos dominantes em primeira direção são Nordeste, em segunda direção ventos Norte.

HIDROGRAFIA:

Nosso Município é banhado por três rios principais: Rio Iguaçu, Rio Guarani e Rio das Cobras. O Rio Guarani faz divisa a Oeste com o município de Três Barras do Paraná, a Nordeste com Catanduvas e ao Norte com Guaraniaçu. O Leste o Rio das Cobras faz divisa o Município de Espigão alto do Iguaçu, o Rio Iguaçu é o principal, o qual banha o Município de Quedas do Iguaçu tendo inclusive o primeiro grande aproveitamento, com a Usina Hidrelétrica de Salto Osório (situada a 16 Km de Quedas do Iguaçu); com capacidade de 1.050 mw, sendo não navegáveis.

O Rio Campo Novo que abastece a nossa população com águas tem este nome de Rio Campo Novo, pelo fato dos colonos abrirem campos para cultivarem as suas lavouras, ou seja, fazer plantações para os seus sustentos e comercialização.

RELEVO:

Terreno acidentado, topografia suave e altitude elevada.
Pontos mais altos do Município: Serra do Mico com 785 metros, na região do Mato Queimado.

SOLO:

Mediamente argiloso, com fertilidade média, a conservação se dá apesar em reduzido número de propriedades, sendo feito reflorestamento nas áreas não utilizadas.

ECONOMIA:

A base econômica concentra-se na extração e transformação da madeira, sendo que apresenta também uma agricultura crescente, principalmente na produção de milho, soja, trigo e feijão. E no ramo agropecuário, criam-se bovinos e aves.

SISTEMA GEOGRÁFICO:

DADOS IMPORTANTES DO MUNCICÍPIO

DIVISÃO URBANA:

Vila Plátano 2 Loteamento São Roque
Vila Plátano 1 Loteamento Tarumã
Vila Bom Pastor Loteamento Jacarandá
Bairro Primavera Loteamento Paiano
Bairro Vila John Kennedy Loteamento Floriano
Bairro Luzitani Loteamento Kozac
Bairro Planalto Loteamento Jardim Floresta
Bairro Vila Progresso
Bairro Três Palmeiras
Bairro São José
Bairro Vila Aeroporto
Bairro São Cristóvão
Bairro Alto Recreio
Vila Raio do Sol
Vila Santo Antônio
Vila DiasVila Santa Fé
Vila Nosa
Vila Rural
S. Luzia
Palmital
Pindorama
Silo
Bacia
Centro

DIVISÃO RURAL:

Fazenda Rio Perdido
Fazenda Manacás¬
Fonte da União
Fazendinha Barra do Mato Queimado
Águas do Guarani
Nova Itália
Linha São Pedro
Costa do Rio Guarani
Linha Santa Helena
Linha Bandeirante
Lajeado Gaúcho
Linha Sokolowicz
Linha Progresso
Linha Guarani
Linha Piloneto
Linha Rio Lontra
Linha Pimentel
Linha Baiano
Linha Alto da Bela Vista
Linha Mirin
Novo Horizonte
Núcleo Habitacional Pinheirinho
Linha Norte
Linha Iguaçu
Núcleo Agrícola Rio Iguaçu
Fazenda Rio Negro
Linha Formiga
Linha Planalto
Linha Israel
Linha Paraná
Linha Carlota
Linha Estrela
Linha Santa Rosa
Linha Nova
Linha Alta da Serra
Linha Alta do Mato Queimado
Linha Jardim
Linha Jardim Alegre
Linha Alto Alegre
Linha Tapui
Linha São Silvestre
Linha Siejka
Linha Água da Anta
Linha Novo Rumo
Linha dos Gaúchos
Linha Catarinense
Linha Farropilha
Linha Lajeado Bonito
Linha Rio Saudades
Assentamento Salto Osório

MALHA RODOVIÁRIA:

78 km - Poliédricos
100 km - Cascalhamento
47 km - Readequação
150 km - Leito Normal
02 Estradas Estaduais - PR 484 e 473
Tipos de leitos, asfalto e cascalho.

TRANSPORTE:
ÔNIBUS:
07h00 Horas - Laranjeiras do Sul
07h00 Horas - Francisco Beltrão
08h40 Horas - Cascavel
09h50 Horas - Laranjeiras do Sul
11h00 Horas - Francisco Beltrão
12h40 Horas - Francisco Beltrão
12h50 Horas - Cascavel
14h20 Horas - Laranjeiras do Sul
16h10 Horas - Francisco Beltrão
17h20 Horas - Laranjeiras do Sul
19h00 Horas - Cascavel

VIAÇÃO PATO BRANCO:
06:00 Horas - Pato Branco
15:00 Horas - Pato Branco
VIAÇÃO VALE DO IGUAÇU:
23h30 Horas - Curitiba
22h15 Horas - Curitiba à Quedas do Iguaçu.
SISTEMA DE TRANSPORTE RURAL:
06 Ônibus - Vieira & Hoining Ltda.
03 Ônibus - Mário kissel Transportes
02 Ônibus - Estacio Ossowski - Transportes Palmar
04 Ônibus - Dinarte Ladoruski Transportes
01 Ônibus - Grisatur
01 Ônibus - Dijavi
MEIOS DE COMUNICAÇÃO:
001 -Terminal Celular
014 - Telefonias Rurais
770 - Telefonias Urbanas
003 -Radiodifusão
Radio FM Potência
001 -Rádio em Freqüência Modulada FM ¬Fundação Cultural de Quedas do Iguaçu.
001 -Rádio AM - Rádio Internacional Ltda.
001 -Jornal Expoente do Iguaçu (Circulação Quinzenal).
Jornal o Correio
Jornal o Independente
001 -Jornal Campo Livre
001 -Jornal Universo
001 -Folha do Sudoeste (Semanal - Francisco Beltrão).
001 - Agência dos Correios.

MATÉRIAS-PRIMAS EXISTENTES NA REGIÃO:
Madeira, Argila
Horti-Frut - Granjeiros, Pecuária.
Bacia Leiteira
LEVANTAMENTO 200

O CABOCLO PIONEIRO

O CABOCLO PIONEIRO

Hoje existe um grande interesse pela história da Região. Há 10 mil anos aqui existiam os índios e no século passado vieram os caboclos, os escravos, os portugueses e os espanhóis. Só apartir da década de 40 que os imigrantes alemães, italianos e poloneses, vindo do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, começara a povoar a região. Todavia existe ium personagem desconhecido e pouco valorizado que é o caboclo. As etnias são estudas e agora surge o caboclo o “brasileiro” , ou “o luso-brasileiro “, Na região de Palmas e Guarapuva, antes de 1836, só existia is indígena ocupando esta terra. Mas apartir do fim da guerra do contestado, em 1912 os caboclos chegara a região .
 O caboclo é o resultado do escravo e do índio. Os caboclos se localizavam em Lagoa Vermelha, Vacarias, Lages, Palmas e Joaçaba. Com entrada das firmas colonizadoras na região, tornou-se difícil a vida dos caboclos. Cada vez mais foram empurrados para o interior. Dede 1940, chegaram às serrarias onde os caboclos eram aproveitados para os trabalhos mais humildes outros trabalhavam na extração na erva mate ou na criação de porcos “soltos” Chamavan-se também, nessa época, de safra dos porcos.
Com a crise da erva mate,em 1931, rcomessou a criação de porcos soltos e pequenas roças ocupavam o tempo dos caboclos. As safras de roças consistia nas derrubadas das mata, queima da ária e plantiu.de milho, arroz e abóbora. Com a entrada dos colonizadores de origem italiana e alemão tornou-se inviável a criação de porcos soltos. Para os italianos os caboclos eram intruzos e eram retirado pelos colonizadores. Os caboclos iam adiante e viam as suas tradições religiosas serem distruidas. Como os caboclos não tinham dinheiro, vendiam as suas posses por qualquer quantia. Cada caboclo tinha um cavalo encilhado, um facão e dois revolver.

A REVOLTA DO CONTESTADO:

A REVOLTA DO CONTESTADO:
Foi uma “guerra santa”, Travada entre 1912 e 1916, numa região pretendida pelos estados do Paraná e Santa Catarina e até pela Argentina. Duraram cinco anos e causou a morte de mais de 20 mil pessoas. No auge da rebelião, bandos armados chegaram a dominar uma área de 25 mil quilômetros quadrados no território que era contestado pelo Paraná e Santa Catarina.
O líder dos rebeldes era um monge chamado José Maria, que se dizia enviado por Deus. Pregava, curava, dava conselhos, acabou sendo padrinho de todos os sertanejos criou seu próprio ministério e, aclamado Imperador a Manoel Alves da Assunção Rocha – um velho fazendeiro analfabeto – “reimplantou” a
monarquia no Brasil.
Nesta época a idéia separatista aflorava na região, explicita na “Carta aberta à nação” contendo 30 itens que o pretenso imperador emitiu em 05 de agosto de 1914, no reduto de Taquaral de Bom Sucesso. Segundo o historiador Osvaldo Cabral, esta carta foi redigida por Guilherme Gaetner, Comerciante alemão de Taquaruçu, por depoimento do coronel Cid Gonzaga, ex-deputado do estado de Santa Catarina, o que moveu este conflito foi, basicamente a luta pela posse dos ricos ervais da região, e a reação dos colonos contra os benefícios concedidos as companhias estrangeiras concessionárias de terra.
José Maria de Castro Agostinho, ou Miguel Lucena de Boa Ventura, o monge que deu origem a rebelião, Morreu no primeiro combate travado entre militares e jagunços. Porém a fanática campanha estava apenas iniciando. Em setembro de 1914, bandos de jagunços espalhavam o terror entre os camponeses da região dos contestado. Carregavam uma bandeira branca com cruz verde, atacando estações ferroviárias, vilas, povoações e matando quem encontrassem pela frente.
O homem que desencadeou todo este ódio e violência, que deu a si próprio o nome de José Maria Agostinho e dizendo irmão de São João Maria, o monge santo que percorrera há muitos anos aquela região, não passava de um soldado desertor que já cumprido pena por crime de sedução, sendo tirado da prisão pelo deputado e fazendeiro Domingos Soares.
Antes de seguir para a guerra o general setembrino de carvalho (o quarto da direita para a esquerda) posa, ao lado de seu estado maior. Na revolta do contestado o exercito utilizou um efetivo de sete mil homens, metralhadora, canhões, sendo que, pela primeira vez na historia da aviação brasileira foram utilizados aviões de reconhecimento e combate.(fonte:Editora três).
Invocando São João Maria, reuniu o povo e acampou em Taquaruçu, mais tarde perseguido, foi à região de Campos de Palmas. O governo do Paraná sentiu-se ameaçado pela presença de homens armados na região litigiosa, julgando ser uma tentativa catarinense, de ocupar a área. Sob o comando do João Gualberto, o governo paranaense enviou um deslocamento de 400 homens para a região do Irani (então território paranaense) na tentativa de coibir o suposto ato. Seguiu-se então um combate de pesadas baixas, das quais se sobressaíram as de monge José Maria e do coronel Gualberto, cumprindo dessa forma a primeira profecia emitida pelo falso profeta, que morreria para ressuscitar dentro de um ano.

Nesse contexto surge à figura de Teodora, uma das seguidoras de José Maria, que teve uma visão onde o líder esperava apenas a reunião dos “exércitos de São Sebastião” para poder voltar a terra. Diante disso, o avô de Teodora, Eusébio Ferreira dos Santos, reservou para a neta o cargo de comandante dos sertanejos.
Certa vez um destacamento militar catarinense tentou dispersar o grupo de sertanejos rebelados, no que foi repelido por bando de jagunços comandado por um garoto de apenas 11 anos. Numa segunda tentativa, o acampamento foi arrasado, matando mulheres e crianças que não conseguiram fugir. Até então os fanáticos estavam reticentes quanto à luta armada, mas passaram a ofensiva diante da carnificina ocorrida no acampamento.
Este movimento recebeu do povo a denominação de guerra dos pelados, porque no começo das hostilidades, um chefe político de curitibanos (SC), exigia que se repassase as cabeças dos seguidores do monge José Maria. Posteriormente, os homens do governo foram chamados de “peludos” pelos fanáticos religiosos. Ao final, para dominar os rebeldes foram necessários sete mil homens, metralhadoras e canhão e aviões (utilizado pela primeira vez em operação militar no País). Os sertanejos, sem alimento eramobrigados a comer pinhão e raízes, depois cozer arreios e selas; por fim matavam os que não combatiam para garantir as resistências dos homens em armas. Quanto o principal reduto caiu, em abril de 1916, os fanáticos não podiam oferecer nenhum tipo de resistência; a peste e a fome, muito mais que o exercito, venceram os fanáticos.

“Desde a época da Revolução Farroupilha e, depois, na Revolução Federalista, a política do Paraná, oscilava entre as rebeldias do extremo sul e a fidelidade ao poder central. A revolução de 30 seria mais um episódio nesse longo processo pendular” – (Samuel Guimarães da costa).
Registrou-se na década de 30 uma grande agitação políticas, marcadas por rebeliões militares de jovens militares conhecidas como “Revolta Tenentista” A cúpula militar não estava satisfeita com o governo central, mas era contraria com a intervenção das forças armadas na política. Vários fatos geraram insatisfação nos militares, principalmente o julgamento e a punição dos implicados no levante do Forte de Copacabana, que foram acusados de promover um golpe de estado. Agravaram-se as relações entre governo e militares.
Em junho de 1924 eclode uma rebelião militar em São Paulo, liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, major Miguel Costa e pelo Tenente Joaquim Távora. Participaram da causa os tenentes Eduardo Gomes, João Cabanas, Newton Estillac Leal e o mato-grossense Filinto Muller, que mais tarde seria expulso do governo revolucionário.
O movimento encontrou resistência de tropas legalistas, obrigando os revolucionários a abandonarem São Paulo, não sem antes Dissimilarem nacionalmente a rebelião tenentista. Em outubro de 1924, os paulistas combatiam em território paranaense, contemporaneamente, tropas sediadas do Rio Grande do Sul se rebelavam, respaldados por lideranças gauchas que se opunha a situação estadual.
As forças revolucionárias gaúchas e paulistas se encontraram em Foz do Iguaçu em abril de 1925, surgindo então à lendária coluna Miguel Costa - Preste.
Após permear o solo paranaense. A coluna cruzou o rio Paraná, segui ruma ao Mato grosso e dali para outros estados, numa marcha que durou quase dois anos e cerca de 30 mil quilometro percorrido. A revolução eclodiu no Rio Grande do sul e minas Gerais às cinco e meia da tarde do dia 03 de outubro, horário escolhido por Osvaldo Aranha em função do fim do expediente nos quartéis, o que facilitava a ação militar e a prisão dos oficiais em suas casas.
Grupo de revolucionário liderado por Luis Carlos Prestes, em torno de uma peça de artilharia, apos um dos combates travados na região de Medeiros –PR. entre novembro de1924 e janeiro de 1925.
Fonte CPDOC – fundação Getulio Vargas. Coleção Ítalo Landucci.
O Rio Grande do Sul foi imediatamente dominado e grandes contingentes ultrapassaram as barreiras do estado. Em Curitiba, foi deflagrada na madrugada de 05 de outubro, pelos oficiais da 5º região militar, liderados pelo Major Plínio Tourinho, que indicou o tenente – coronel Mario Monteiro Tourinho para assumir o governo do estado, fato consuma na tarde do mesmo dia. No Paraná, sublevaram-se quase todas as unidades militares, enquanto se preparavam para o ataque a São Paulo, onde se encontravam boa parte da defesa governista. Miguel Costa estalou suas tropas em Sengés, enquanto o grande chefe da revolução, Getulio Dorneles Vargas, chegou ao Paraná no dia 17 de outubro, fixando seu QG na cidade de Ponta Grosa. Ao assumir o governo Revolucionário Provisório, Mario Tourinho encontra o estado em “situações de verdadeiro descalabro financeiro”, o que o leva a tentar sanear os problemas destacados. Um dos sérios estraves que Mario Tourino encontrou foi a respeito da concessão de terras devolutas, que não cumpriram as clausulas imposta, dentre as quais, a mais importante era a colonização de extensas áreas que se constituíam um imenso vazio demográfico. A este assunto Tourinho se refere desta maneira “... os inomináveis abusos, por parte do governo, decorrente de concessões, a titulo gratuito ou por preço reduzido de terras devolutas a empresas de construções de estradas e de colonizações , bem como as legitimações de grandes áreas que se foram processando, deram em resultado, a formação de latifúndios prejudiciais aos supremos interesses da nação”.
Getulio Vargas, entretanto triunfante em ponta grossa. A sua direita, o tenente-coronel Galdino Luis Esteves, e a esquerda, Aristides Krauser do Carmo, em 17 de outubro de 1930. Foi no governo de Vargas que se criou em 13 de setembro de 1943, o Território Federal do Iguaçu.
(fotografia de Ewaldo Weiss. Acervo Fundação Getulio Vargas, doação: Maria Mercedes de Almeida).
O decreto lei nº 300, de Mario Tourinho, anulou todas as concessões feitas à companhia Brasileira de Viação e Comércio (BRAVIACO), subsidiaria da São Paulo - Rio Grande (controlada por Brasil Railway co.) e a companhia Matte-laranjeiras. Além de que nomeou como prefeito de Foz do Iguaçu, Othon Mäeder, que procedeu a imediata nacionalização da região.
Em dezembro de 1931, Mario Tourinho exonera do cargo de interventor federal, passando-o a João David Perneta, que o repassou o Manoel Ribas, Ponta - grossense que governou o estado por 13 anos consecutivos.
Manoel Ribas havia estado ausente do Paraná, radicado em Santa Maria no Rio Grande do Sul, onde havia dirigido á cooperativa dos ferroviários daquela cidade e sido prefeito municipal. Em 1939, o inventor Ribas relatava o seguinte ao presidente Vargas “... não é uma decorrência da criação ou majoração de imposto, mas sim expressivo índice de crescimento econômico do estado, resultante das numerosas obras realizada, notadamente ao que diz respeito ao plano rodoviário, pondo em contato fácil e rápido os centros de produção com o mercado de consumo”.
O governo Ribas iniciou ousado projeto de colonização, rescindindo antigos contratos de empresas colonizadoras, excentuando-se a Companhia de Terras Norte do Paraná (fundada por ingleses) e a empresa de Francisco Gutierrez Beltrão.
Segundo a maioria dos historiadores, o maior erro de Manoel Ribas foi permitir a criação do Território Federal do Iguaçu, com área desmembrada do estado do Paraná. A atenuante foi à velada fidelidade ao presidente Vargas.
GUERRA SANTA

Na região do Contestado, bandos de jagunços, armados de carabinas, Winchester, chaços, espadas de pau com prego na ponta, revólveres e facões, espalhava o pavor entre os camponeses, aos gritos de: Viva São João Maria, Viva a Guerra Santa de São Sebastião, Viva a Monarquia, Morte aos peludos.
Conduzindo uma bandeira branca com uma cruz verde ao centro, assim como rescavam cruzes em suas carabinas, seus facões, suas sacolas de mantimentos, suas roupas- atacava estações ferroviárias, empresas
madeireiras, vilas e cidades. Matavam todos que encontravam.
O homem que desencadeou o ódio e a violência, o “monge” que deu a si próprio o nome de José Maria, era Agostinho, um soldado desertor que já havia comprido pena por crime de sedução e apareceram dois anos antes se dizendo irmão de “João Maria, monge santo”, o qual havia percorrido aquela região.
Em seu nome reuniu o povo, acampado em Taquaruçu, e mais tarde, perseguido pelo chefe político local e pela polícia de Santa Catarina, atravessou o Contestado em direção ao Paraná e depois acabou acampando nas aproximidade de Palmas, nos campos de Irati.
O governo do Paraná interpretando a presença de homens armado na região de Palmas como uma tentativa da força policial de Santa Catarina para ocupar a região em litígio, enviou contra o Mogi um destacamento de 400 homens sob o comando do coronel João Gualberto.
No combate que se seguiu, o coronel e o monge foram assassinados’.
José Maria comprirá a primeira parte de sua profecia, segundo a qual morreria para ressuscitar dentro de um ano.
Morto José Maria, os sertanejos passaram a obedecer a um novo chefe, Eusébio Ferreira dos Santos. Sua neta, Teodora, uma das seguidoras, tinha visões e afirmava que José Maria aguardava apenas a reunião dos exércitos de São Sebastião para voltar a terra.
Assim, estalou novo agrupamento em Taquaruçu, fundando uma Cidade Santa, na qual se daria a volta de José Maria. O movimento cresceu, assustando as autoridades.
Diverso ataque fora realizado e repelidos pelos fanáticos. Em alguns casos as tropas do governo chegaram a sofrer massacres.
Os demais quadros Santos se dispuseram em pontos diversos numa ária imensa, de difícil topografia, cada qual com seu santo, inclusive tal D. Manuel Alves de Assunção Rocha, que pretendia ser o “Impredor” da Monarquia Sul Brasileira.
Em Setembro de 1914, foi nomeado para a inspetoria da Região Militar, que compreendia os dois Estados, o general Setembrino de Carvalho.
Este mobilizou 7000 mil homens e, pela primeira vez no Brasil, foi utilizada a aviação em operações militares.
Em 31/03/1915, efetuo-se o ataque decisivo contra o reduto de Santa Maria, pondo fim à sangrenta contenda com a tomada de Santa Maria em 05/04/1915.
No entanto, muitos fanáticos conseguiram escapar, formando novos redutos, que fora sendo destruídos pelas forças legais. Os dois últimos, Pedras Brancas e São Pedro – fora aniquilado entre outubro e dezembro de 1915. O mais importante chefe militar do movimento, Adeodoro, foi preso e condenado a trinta anos de prisão.

UM GRANDE PIONEIRO SEBASTIÃO S. BARRETO

UM GRANDE PIONEIRO SEBASTIÃO S. BARRETO

Pioneiro: Sebastião S. Barreto. Esta fotografia foi feita em 1957 durante o período que prestou serviço militar em Foz do Iguaçu. No estado do Paraná.Um Relato impressionante, narrado pelo pioneiro Sebastião Barreto, residente em Quedas do Iguaçu há 70 anos. Nesta entrevista, o pioneiro Sebastião, contou com detalhes importantes, da revolta de 1924, onde cominou com muitas mortes durante os combates armado das frentes legalistas e revoltosos. Apesar de seus já avançados anos, a sua memória narrou com riqueza de detalhes a triste tragédia presenciada pelos moradores da região de Catanduvas precisamente em Medeiros onde o seu avô tinha propiedades e morava com toda a sua família. Talvez seja a conversa que ele teve com o avô, e com o seu pai senhor João Maria Barreto, na época o pai do Sr. Barreto tinha 9 (nove) anos de idade, ambos conviveram este trágico confronte armado que deflagrou chamas ardentes entre os povos, muito deles nada tinha haver com a situação. O avô do Sebastião Barreto Sr. Antonio Quirino de Sousa, não se cansava de contar para o seu pai e seus netos, as bravuras dos soldados que compunha o pelotão da polícia Militar do Paraná. Em números aproximadamente de 500 homens, contra tacados pelos revoltados sanguinários das colunas, composto por militares e civis, e que também, não faltava à presença de estrangeiros paraguaios no movimento. O Sr. Sebastião com firmeza, detalhava a estratégia que a força militar usou, para atacar os revoltosos pela retaguarda, usando o poste amento da rede de Telégrafo, que saia de regiões distantes, e cortava as matas da região de Laranjeiras do Sul, consequentemente, inclui a nossa região de Quedas do Iguaçu. Seguindo os traços da rede para não se perder no matagal serrado da nossa região foi á maneira mais inteligente dos nossos heróis, surpreender os adversários pela retaguarda. Com os postes da rede telegráfica atravessou o Rio Guarani, seguindo até Catanduvas, onde se encontrava um posto de comunicação telegráfico, com esta estratégia usada pelos militares, deu condições para derrotar os revoltosos. Méritos do Comandante Antonio de Morais Sarmento hoje Patrono da polícia militar do Paraná, e de seus brilhantes combatentes.

Ao entrevistar o Sr. Sebastião Barreto, ele fez questão de dizer, que o seu avô, e todos os filhos dele, encluía também, o pai do Sr. Sebastião e sua mãe, por muitas ocasiões ficavam no meio do fogo cruzado, entre militares e revoltosos. Era bala de metralhadouras, mosquetões e de canhões, que rasgava os céus e roçava as matas de sua propiedade. A Revolta de 1924, muito comentada no Brasil e no mundo, acabou em frente às terras da família Barreto em Catanduvas. Mais precisamente na região de Medeiros. A bandeira da polícia Militar do Estado do Paraná tremulava nas mãos dos soldados, orgulhosos do dever comprido, liberdade para estarem novamente reunidos com os seus familiares, recebendo um abraço agora como heróis, título esse insignificante comparado pelo respeito à Constituição brasileira. Resolvido uma situação de grande repercussão em todo o território Nacional. Comentou ainda o Sr. Sebastião que o seu avô morreu com 104 anos e está sepultado no cemitério que do qual está enterrado alguns dos valentes Herói que defenderam a Pátria das garras dos maus intencionados malfeitores. Por este ato de brasilerismo foi devolvido a tranqüilidade e o respeito á Constituição brasileira e os bons costumes do povo e da corporação Militar.

Catanduvas terá Memorial sobre a Revolução de 1924.

O projeto do Memorial da Revolução de 1924 em Catanduvas será prioritário dentro da secretaria de Estado da Cultura. O pedido do governador Roberto Requião foi feito durante a Escola de Governo. O tema compôs a pauta da reunião de ontem de manhã (17), em Curitiba e esteve a cargo da secretária Vera Mussi que destacou que “o Paraná tem história. Uma história bonita que este governo está recuperando e mostrando aos paranaenses”.
Requião lembrou que a idéia da construção do Memorial surgiu no ano passado, durante a cavalgada que realizou em Catanduvas, a convite do deputado estadual Nereu Moura (PMDB), oportunidade em que a comitiva passou por locais percorridos pelos revolucionários, inclusive dois cemitérios. A partir daí, o governo constituiu uma comissão com a presença do Exército, Polícia Militar e Uni oeste para a revitalização da memória destes acontecimentos.

Este projeto é um antigo sonho de Nereu Moura que quer ver recuperada parte da história do nosso país que teve desfecho em Catanduvas, na região Oeste do Paraná. “A Revolução Tenentista é o epicentro da Revolução de 30 que levou Getúlio Vargas à presidência do Brasil”, lembrou ele, ao destacar a importância política deste fato.
O prefeito Aldoir Bernart. Presente na Escola de Governo, agradeceu ao governador Roberto Requião e ao deputado Nereu Moura pelo projeto do Memorial, “uma importante obra que resgata a história que aconteceu nos caminhos do Paraná, especificamente em Catanduvas”. Bernart disse “que além do ganho cultural que é inestimável, o município vai ganhar economicamente com o incremento do turismo”.
Esta mesma idéia é compartilhada por Nereu Moura que acredita que Catanduvas vai passar a fazer parte dos roteiros turísticos ecológicos e históricos do Paraná. “Esta indústria sem chaminés a ser instalada, será responsável por uma nova fase no desenvolvimento econômico do município”, destacou o deputado.
Na próxima reunião da Escola de Governo, dia 24, o tema Revolução Tenentista será novamente abordado pelo professor Aymoré Índio do Brasil Arantes e pelo jornalista e historiador Adelar Paganini. O arquiteto Edinei. Fraga fará a exposição do projeto do Memorial.
A revolução tenentista teve início no dia 05 de julho de 1924 em São Paulo, após ser combatida pelo governo de Arthur Bernardes, os revoltosos retiram-se para o Estado do Mato Grosso e posteriormente tomaram Guaira e Foz do Iguaçu no Paraná. A
REVOLTA DE 1924 DESFECHOS EM CATANDUVAS PARANÁ
Nome completo Joaquim Antônio de Moraes Sarmento
Nacionalidade - Brasil
Local de nascimento Ceará
Data de nascimento 17 de maio de 1882.
Local de falecimento - Paraná.
Data de falecimento 21 de abril de 1934.
A Intenção dos “tenentes” era chegar à capital Paranaense via estrada estratégica que, posteriormente, tornou-se a BR 277, nesse ínterim aguardavam a chegada de Luis Carlos Prestes que vinha do Rio Grande do Sul. Por sua parte o governo Federal organizou o Exército e as polícias estaduais com intuito de combater os revoltosos que se encontravam na localidade de Catanduvas e haviam se apoderado da
estação telegráfica local.
Os combates foram intensos duraram seis meses e, em março de 19240, Marechal Candido Rondon à frente de 17 generais e 15 mil soldados fez o ataque final tomando Catanduvas e fazendo 407 cativos. Luis Carlos Prestes chegou atrasado ao Paraná, e não pode ajudar na contenda de Catanduvas, após o revés os revoltosos que, conseguiram escapar do cerco à Catanduvas se organizaram. Em Foz do Iguaçu, e cruzaram o Paraguai, entrando novamente no Estado do Mato Grosso, criando a Coluna Prestes, que ficou conhecida na história como a maior marcha de combate do mundo percorrendo mais de 25000 quilômetros em dois anos, vindo depor armas somente em 1927, na Bolívia.

JOSÉ MARIA O CHARLATÃO OU PROFÉTA
A guerra do contestado por pouco não aconteceu aqui na região de Campo Novo hoje Quedas do Iguaçu. O religioso, pregador e curandeiro José Maria na época percorreu extensas regiões nos estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nessas caminhadas passou por Laranjeiras do Sul, na qual Quedas do Iguaçu pertencia, o seu costume era estar entre humildes, à reza próxima a olhos d’água constantemente eram usados por ele, os antigos ainda é lembrado como olho d’água São João Maria.
Em 1910, surgiu em Laranjeiras do Sul um homem, seu nome era Miguel Lucena que aproveitando a fama

deixada por João Maria assumiu o nome de José Maria.
José Maria dono de um carisma alucinante reuniu os sertanejos e anunciou que averia uma guerra do qual muito pouco escapariam e para se salvar era necessário se esconder no matagal e assim o fizeram, como nada aconteceu, anunciou que viria o fim do mundo, e para salvação de suas almas tinham que atravessar 50 vezes o Rio Iguaçu nadando como pinitência. Este fato aconteceu no dia 22de Outubro de 1910. Muitos como a maioria acreditou. Muitos com famílias carregando seus filhos às vezes nas costas e sobre lombos de cavalos cruzando o Rio Xagu e chegando ao Pinhal Ralo, de onde levavam há dias para chegar ao Rio Iguaçu.Pinhal Ralo era uma região que a Baronesa de Limeira possuía uma área de 6000 hectares de terras, hoje pertence à Araupel Quedas do Iguaçu.
Os sertanejos acamparam na margem do Rio das Cobras entre Salto Osório e salto Santiago. Aos poucos os sertanejos suspeitaram que o monge fosse um charlatão, os homens se revoltaram e decidiram acabar com ele. José Maria sentindo o perigo resolveu abandonar o acampamento e fugiu para Santa Catarina.
Após um ano de permanência no sertão, os sertanejos voltaram, nem todos, muitos morreram de fome e picadas de cobras, muitas crianças desnutridas morreram.
Miguel Lucena, que de nominava como José Maria, apareceu em Campos Novos, pregando e anunciado curas. Jose Maria atraiu nessa região, grande número de sertanejos, pois os mesmos estavam sendo escorraçados por jagunços armados da empresa Southern Brasil, com serrarias de grande porte, as maiores da América Latina. Jose Maria liderava milhares de sertanejos, na região central do contestado
(disputado pelo Paraná e Santa Catarina).
Numa batalha entre jagunços, soldados e fanáticos de Jose Maria constam a historia como Guerra do Contestado. Guardada as proporções, uma espécie de Guerra dos Canudos em 1897.
Alguns dados desta história foram fornecidos pelo senhor Miguel Beira Gonçalves, morador em Pindorama, atualmente com 80 anos, o seu pai Sr. João Gonçalves da Costa, natural de Laranjeiras do Sul participou da guerra do Paraguai, de 1870 acompanhou de perto a trajetórias do falso religioso José Maria.

REVOLUÇÃO FEDERALISTA

REVOLUÇÃO FEDERALISTA

Em fevereiro de 1893 irrompeu, no Rio Grande do Sul, o levante federalista á sua frente dois simpatizantes do Regime Imperial: Gaspar da Silveira Martins e Silva Tavares. Junto com eles um caudilho à Bento Gonçalves, voz grossa, esporas e poncho. Gumercindo Saraiva. Atrás de Gumercindo, dezenas e dezenas de caudilhos menores.
A caudilhada estava descontente com a república. Não exatamente com o regime, mas com seu representante lá, Julio de Castilho e seus copinchas, os “pica-paus”. Era uma disputa entre grandes estancieiros. Antiga e espalhafatosa, que vinha desabar agora contra Floriano Peixoto. Na verdade a revolução de 1893 foi motivada pelo extremado presidencialismo de Julio de Castilho, em favor do parlamentarismo (republicano ou mesmo monárquico) defendido por Silveira Martins.
Com apoio da Marinha, a revolta toma proporções em nível nacional, sendo que no Paraná, contava com vários simpatizantes, embora o governo local fosse Florianista e tencionava impedir o avanço das tropas de Gumercindo que já havia tomado, Santa Catarina (onde os federalistas encontravam apoio do lado do governo), onde se instalou a sede de um governo provisório.
Em janeiro de 1894, o território paranaense foi invadido pelas tropas revolucionárias federalistas vindas do Rio Grande do Sul, em três frentes distintas; Paranaguá, Tijucas e Lapa, quase que simultaneamente.

Paranaguá foi tomada pelos revolucionários no dia 15 de janeiro de 1894 que eram comandados pelo almirante Custódio de Melo, segundo Romário Martins, “A defesas de Paranaguá apenas contava com seis canhões de campanha e 400 homens sem adestramento militar: Contingente do Batalhão Patriótico 23 de novembro e da Guarda Nacional local. Afora essa gente, apenas meia dúzia de artilheiros do exército”. Nem mesmo o efetivo do general Pegam Junior (a quem cabia a defesa da cidade), foi suficiente para deter a determinação de Custódio de Melo, que em 20 de janeiro entrava em Curitiba totalmente abandonada tanto pelas tropas quanto pelo governador do Estado, Vicente Machado.

Tijuca do sul sofreu o primeiro ataque no dia 11 de janeiro de1894, tendo os federalistas no comando Gumercindo Saraiva, um dos principais líderes do movimento.
Os combates foram diários e estenderan-se até o dia 19 de janeiro, sendo as tropas legalistas pelo coronel Honorário Adriano Pimentel (veterano de guerra do Paraguai), que defendeu a guarnição heroicamente, infligindo pesadas baixas aos federalistas. Destes fratricidas combates resultaram 17 mortos, 41 feridos e 750 capitulados. Dentre os quais um coronel, 12 capitães, 16 tenentes, 27 alferes e dois médicos militares.
A Lapa foi tomada e sitiada a partir do dia 15 de janeiro de 1894. O comando militar da Lapa estava em mãos do general Gomes Carneiro desde o dia 26 de novembro do ano anterior. O primeiro combate deu-se no dia 17 de janeiro, ocasião em que á cavalaria federalista circuncidou a cidade, impedindo qualquer tipo de acesso ao lugar além do que, cortou as comunicações telegráficas. Com o sítio efetivo, iniciam-se permanentes combates, com muitas baixas, que só findou com a morte do próprio comandante da guarnição, Gomes Carneiro. A capitulação da Lapa ocorreu no dia 11 de fevereiro com todas as honras de guerra. Em 20 Janeiros de 1894, quando se instalaram numa Curitiba abandonada, os chefes federalistas criaram com João de Meneses Dória um Governo Revolucionário Provisório. Posteriormente foi formada uma comissão, integrada por homens ligados ao comércio, sendo presidida por Ildefonso Pereira Correia - o Barão de Serro Azul. Posteriormente foi criada nova comissão e seus integrantes foram encarregados de levantar empréstimos de guerra ordenados pelos revolucionários.

Diante do sucesso da empreitada Gumercindo Saraiva pôs-se em marcha em direção a São Paulo, via Itararé, mas tiveram que retroceder dispersando-se as tropas em direção aos campos de Palmas. O motivo da manobra foi o avanço de numerosa tropa legalista, bem como a dissensões entre os chefes revolucionários.
A legalidade volta ao poder, com Vicente Machado novamente em Curitiba, apesar de condenado pela opinião publica. Inicia-se então o período de caça aos vencidos, do degolamento revolucionário ao fuzilamento legalista. Ildefonso Pereira Correia – O Barão do Serro Azul é fuzilado no quilometro 65, por suspeição de ajuda aos revolucionários, igual sorte teve Francisco Braga em Curitiba e José Antonio Colona e Pedro Nolasco em Paranaguá.

A QUESTÃO LIMÍTROFE ENTRE PARANÁ E SANTA CATARINA

Ao ser criada a província do Paraná em 1853, o governo provincial herdou um antigo litígio fronteiriço da Província de são Paulo com a de Santa Catarina, nas proximidades dos Campos de Palmas. Na verdade a disputas pelo direito de área contestada vem desde o século XVIII.
No período imperial a questão sempre foi discutida, no entanto, nunca resolvida. Santa Catarina reivindicava a áreas compreendidas entre o rio Negro, Iguaçu e Uruguai, indo até a fronteira com a Argentina. Por sua vez o Paraná herdou de São Paulo as mesmas fronteiras meridionais, fazendo fronteira com o Rio Grande do Sul através do rio Uruguai. O Paraná detinha o “uti possidetis”com a povoações de União da Vitória, Palmas e Timbó e Santa Catarina expunha suas razões baseadas na carta Régia de 1749.
Com a questão de limites pendentes, novas frentes migratórias se lançavam nos ervais nativos e nos campos da região contestada, surgindo povoações que não era reconhecidas nem paranaenses e nem catarinense, pelo menos oficialmente.

Em 1895 o Brasil resolve por arbítrio do presidente americano Cleveland, a questão internacional da região de palmas, em detrimento da Argentina, que também reivindicava para si grande parte desta porção territorial meridional.
Rio Iguaçu em 1907, nas proximidades de porto União da Vitória, que nesta época se constituía em um só município. Posteriormente com demarcação da chamada “Linha Wenceslau”, esta cidade foi dividida em duas, de lado paranaense ficou União da vitória e do catarinense Porto União (acervo Casa da memória, Curitiba) Esta imensa área era habitada exclusivamente por paranaense, isto de certa forma tranqüilizada as autoridades do estado, que achava absurda pretensa reivindicação Argentina sobre a zona.

Por duas vezes grupos armados invadiram terras paranaenses, em defesa de interesse do estado de Santa Catarina. A primeira foi em 1905, por Demetrio Ramos à frente de 600 homens e a segunda foi em 1909, quando 500 homens liderados por Aleixo Gonçalves de Lima, provocaram a desordem e a ira paranaense.
A questão ganhou os tapetes da justiça federal, que apesar de todos os argumentos serem favoráveis ao Paraná, o veredicto final foi a favor de Santa Catarina por decisão do supremo federal em 1904. O estado do Paraná ainda tentaria o embargo através de ações, nos anos de 1909 e 1910, todas infrutífera. Segundo o historiador Ruy Cristovam wachowicz “um dos ministros do supremo teve, em conversa particular, a seguinte frase: o Paraná tem todo o direito na questão, mas o estado de Santa Catarina é um estado menor, por isso votei contra a sua terra”.

Em 20 de outubro de 1916, sob a mediação do presidente da republica Wenceslau Braz foi conduzido a um acordo entre as partes, partilhando-se a região contestada. Da área contestada inicial de 48 mil quilômetros quadrados, o Paraná ficou com 20 mil e Santa Catarina com 28 mil. Nesta época era governo do Paraná Affonso Alves de Camargo, que ao assinar o acordo que pôs fim ao litígio, foi duramente criticado. No entanto, não era diretamente o responsável pelo ocorrido, simplesmente herdara a causa de seus antecessores.

A decisão favorecendo Santa Catarina causou um reboliço nas autoridades da região contestada. Os lideres políticos temiam o abandono pela administração catarinense. E se no bojo das especulações surgiu à idéia de criar um estado federado independente, já que nasceu com nome e bandeira. Estado das Missões. Formou-se então uma Junta Governativa Provisória e foi escolhida a capital do novo estado, União da Vitória. O deputado José Cleto da Silva chegou apresentar na assembléia Legislativa do estado um projeto que criava o Estado das Missões, cujas divisas eram: Ao norte o rio Negro e a leste os contrafortes da Serra do mar, à oeste os rios Peperi Guaçu e Santo Antonio e ao sul o rio Uruguai.

O estado das Missões não passou de um sonho, pois ao perceberem que o sudoeste paranaense não passaria a jurisdição catarinense, os principais líderes políticos da margem direita do rio Iguaçu aquietaram-se restando os remanescentes do fracassado movimento do exílio nos pampas argentinos.

MONGE JOÃO MARIA DE AGOSTINHO

Este terceiro “monge” aproveitou-se da tensão político social, existente no Contestado Paranaense. Na verdade Miguel Lucena. Aliciou ao seu redor os descontentes, os injustiçados, os perseguidos, os desajustados, os desamparados, os bandidos e os facínoras e deu-lhes instrução militar, armando-os com espadas, facões, pica-paus e garruchas. Denominou-se irmão do falecido primeiro Monge. Usava as qualidades de persuasão do primeiro e realizava milagres e rezas, em comum com os caboclos. Criou os chamados quadros santos que eram redutos de resistência. Ao mesmo tempo, compôs uma guarda pessoal, de 24 sertanejos, a quem chamou de doze pares de França, por influência de um livro que lera. Morreu num combate com o comandante João Gualberto, nos campos do Irani (hoje território de Santa Catarina).
Apesar de serem três, o povo, através de suas lendas e folclore, uniu-os em um único, popularmente conhecido como São João Maria, que era considerado, na época, o “monge dos excluídos”. Os dois estão historicamente unidos de tal forma, que muitas vezes se torna difícil separar os feitos e a vida de cada um. Os três tinham em comum o fato de terem vivido em épocas de grandes mudanças sociais, em que a assistência médica e o conhecimento tinham pouca penetração no interior do país, em que o aconselhamento embasado na religião, a cura através de ervas e águas, e os milagres eram os únicos recursos acessíveis a uma população carente e pouco assistida. A população humilde encontrava neles apoio e soluções para enfrentar a penúria e a desesperança.

Ainda que seja improvável que tratava-se de mesma pessoa, devido à questão temporal e geográfica, no caso particular do estado do Rio Grande do Sul existe a tese que de sobreviventes fugitivos, e em especial, seus descendentes, foram divulgando e adequando suas crenças e reivindicações. Assim, encontramos o monge João Maria, do movimento do Monges do Pinheirinho (cidade de Encantado), com as mesmas características (do qual inclusive existe registro fotográfico) 35 anos depois e com o mesmo nome, na luta dos Monges Barbudos (Soledade, RS). Ele seria um discípulo de Jacobina Mentz Maurer, dos Muckers, cujos descendentes teriam se localizado no município de Estrela. Historiadores mostram no mapa do Rio Grande do Sul a região dos três acontecimentos, unindo um caminho provável que teriam percorrido os Muckers sobreviventes para influir nos acontecimentos do interior de Encantado (1902) e Soledade (1935-1938). João Maria D’Agostini O primeiro deles, o monge João Maria d’Agostinho, era imigrante italiano, e residiu um tempo em Sorocaba (SP), mudando-se em seguida para o Rio Grande do Sul, onde viveu entre os anos de 1844 e 1848, nas cidades de Candelária, no morro do Botucaraí, e Santa Maria, no Campestre. Introduziu nessa região o culto a Santo Antão, que é considerado o “pai de todos os monges”, cuja festa continua até os dias atuais, comemorada em 17 de janeiro. A região do Campestre passou a ser chamada, desde então, de Campestre de Santo Antão. Sua prisão foi decretada em 1848, pelo General Francisco José d’Andréa (Barão de Caçapava), mediante o temor de levantes e concentrações populares que começavam a ser comuns naquela região, e o monge foi proibido de voltar ao Rio Grande do Sul. Refugiou-se na Ilha do Arvoredo (SC), depois na Lapa (PR), na serra do Monge, e em Lages (SC), desaparecendo em seguida, misteriosamente. Os historiadores defendem que o monge João Maria morreu em Sorocaba, em 1870. João Maria de Jesus. O segundo monge, João Maria de Jesus, surgiu também misteriosamente, no Paraná e Santa Catarina, tendo vivido entre os anos de 1886 e 1908, havendo, na ocasião, uma identificação com o primeiro, de quem utilizava os mesmos métodos, com curas através de ervas, conselhos e águas de fontes. Acredita-se que seu verdadeiro nome seria Atanás Marcaf. Em 1897, diria: “Eu nasci no mar, criei-me em Buenos Aires, e faz onze anos que tive um sonho, percebendo nele claramente que devia caminhar pelo mundo durante quatorze anos, sem comer carne nas quartas-feiras, sextas-feiras e sábados, e sem pousar na casa de ninguem. Vi-o claramente[1]”. Há controvérsias sobre seu desaparecimento, segundo alguns historiadores por volta de 1900, e segundo outros por volta de 1907 ou 1908. A semelhança entre os dois primeiros monges é tão grande, que o povo os considerava um só. Num dos retratos da época, considerado como sendo do santo, há a legenda “João Maria de Jesus, profeta com 188 anos[2]” José Maria. O terceiro monge, José Maria, surgiu em 1911, em Campos Novos (SC), e foi, segundo alguns historiadores, um ex-militar. Segundo um laudo da polícia de Vila de Palmas, no Paraná, seu verdadeiro nome era Miguel Lucena de Boaventura, e era um soldado desertor condenado por estupro. Dizia ser irmão do primeiro monge e adotou o nome de João Maria de Santo Agostinho. Utilizava, também, os mesmos métodos de cura dos primeiros, com ervas e água, mas, ao contrário do isolamento de seus antecessores, organizava agrupamentos, fundando os “Quadros Santos”, acampamentos com vida própria, e os “Pares de França”, uma guarda especial formada por 24 homens que o acompanhavam. A região onde atuava era palco de disputas por limites e, sob a alegação de que o monge queria a volta da monarquia, foi pedida a intervenção do Governo Estadual de Santa Catarina, o que foi entendido como uma afronta pelo Governo do Paraná, que enviou uma força militar para a região. A força militar chefiada pelo coronel João Gualberto Gomes de Sá invadiu o “Quadro Santo” de Irani (SC), e morreram no combate tanto o monge João Maria quanto o coronel, o que determinou o fim do ciclo dos monges e a eclosão franca da Guerra do Contestado. Lendas. Há muitas histórias sobre a origem do monge, todas de tradição popular. Uma delas refere que sua cidade de origem teria sido Belém, na Galiléia, e que abandonara a religião para se casar com uma moura e para combater o exército expedicionário francês. Sendo feito prisioneiro, após a morte de sua esposa fugiu e teve a visão do apóstolo Paulo, que o mandou peregrinar durante 14 anos (ou 40 anos, em outra versão) pelo mundo, retornando assim ao cristianismo.
Outra lenda refere que o monge teria sido um criminoso, que teria seduzido uma religiosa, a qual falecera na viagem para a América, e sua penitência seria vagar solitário pelos sertões.
Outra lenda defende que o monge era um apátrida, nascido no mar, de pais franceses, tendo sido criado no Uruguai. Contam-se lendas, também, de que podia estar em dois lugares diferentes, podia estar orando em sua gruta e ao lado de um doente que invocava por ele; que podia ficar invisível aos seus perseguidores; que podia atravessar a pé sobre as águas dos rios; que suas cruzes cresciam 40 dias após o monge tê-las levantado; que o monge era imune aos índios e feras; que fazia surgir nascentes nos lugares onde dormia.

As curas são constantes em suas lendas. Teria feito muitas curas com infusões de uma planta chamada vassourinha e com rezas. Há uma lenda de que João Maria teria debelado uma epidemia de varíola na cidade de Mafra, na ocasião ainda um bairro pertencente ao município de Rio Negro, afastando a doença com rezas e com 19 cruzes plantadas como Via Sacra pela cidade. O monge João Maria teria chegado em Mafra em 1851 e encontrara a população sob o sofrimento da Guerra dos Farrapos e da epidemia de varíola. Recomendou que 19 cruzes (alguns historiadores defendem que seriam 14 cruzes) fossem erguidas entre a Capela Curada e a Balsa - Ponte Metálica. As tropas vindas do sul foram derrubando essas cruzes e, a única que sobrou foi a da Praça Hercílio Luz, cuja fixação foi em 30 de Junho de 1851 e representa a fé do catolicismo rústico do homem simples da região. Ainda hoje existe essa cruz na praça de Mafra, conhecida popularmente como a “Cruz de São João Maria”, e que, segundo a lenda, não pode ser retirada, com o risco de causar a enchente do rio Negro, o qual separa as cidades vizinhas de Rio Negro e Mafra.

Há lendas de que o monge teria feito, também, diversas previsões, inclusive sobre os futuros trens e aviões: “Linhas de burros pretos, de ferro, carregarão o pessoal” e “gafanhotos de asas de ferro, e estes seriam os mais perigosos porque deitariam as cidades por terra”.
Há também diversas lendas sobre seu desaparecimento. Conta uma delas que ele terminou sua missão no morro do Taió (SC), outra que morreu de velhice em Araraquara (SP), ou que foi encontrado agonizante próximo aos trilhos da estrada de ferro perto de Ponta Grossa.
A crença mais difundida é, no entanto, que não teria morrido. Após jejuar por 48 horas no morro do Taió, o monge teria sido levado por dois anjos para o céu. Em outra hipótese, seu corpo teria se envolvido em luz tão forte que o fez desaparecer, deixando o povoamento do planalto serrano foi diferente da do litoral catarinense na sua composição de recursos humanos. As escarpas serranas, densamente cobertas pela Mata Atlântica, junto com os povos indígenas, representavam sérios obstáculos para o povoamento da região. A ocupação se deu de através do comércio de gado entre o Rio Grande do Sul e São Paulo já no século XVIII, fazendo surgir os primeiros locais de pouso. A Revolução Farroupilha e Federalista também contribuíram para o aumento de contigente humano, que buscavam fugir dessas situações beligerantes.

NAS BARRANCAS DO RIO PARANÁ

NAS BARRANCAS DO RIO PARANÁ

“Nos lindes acidentes do Paraná alguns milhares de compatriotas vão selando com o seu sangue o protesto contra a tirania!” Etores da sociedade, provocara uma crise sem precedentes.
Os tenentes sonhavam com um Brasil renovado pelo voto secreto, educação pública, moralidade administrativa, erradicação da miséria. Para isso era necessário libertá-lo dos grilhões da monocultura
cafeeira. Introdução À 1h15 do dia 5 de julho de 1922, os canhões do Forte Copacabana, no Rio de Janeiro, anunciavam a primeira de uma sucessão de rebeliões que culminariam com a liquidação do domínio exercido pela oligarquia cafeeira sobre a vida nacional.
A submissão aos interesses do imperialismo inglês, e a conseqüente renúncia à industrialização do país, empurraram a oligarquia a um beco sem saída. Sua insistência na valorização artificial do café, à custas do empobrecimento dos demais. A segunda onda revolucionária teria início em 1924, também na mesma data, 5 de julho. As guarnições do Exército da capital paulista e parte do contingente da Polícia Militar se insurgem. Com o apoio da população civil, assumem o controle da cidade, depois de quatro dias de combates. À frente do levante estão o capitão Joaquim Távora, veterano de 1922; o major Miguel Costa, do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar; o coronel João Francisco Pereira de Sousa; o general reformado Isidoro Dias Lopes; e diversos tenentes e ex-alunos da Escola Militar de Realengo, que tiveram seu batismo de fogo na Revolução de 1922. A 13 de julho levanta-se a guarnição federal de Sergipe, sob o comando do tenente Maynard Gomes. Dez dias depois, subleva-se o 27º Batalhão de Caçadores, sediado em Manaus. Os tenentes Alfredo Augusto Ribeiro Júnior e Magalhães Barata destituem os representantes do clã Rego Monteiro, e instituem um governo revolucionário. Em 26 de agosto é a vez da guarnição de Belém derrubar o governo estadual.
As rebeliões no Nordeste e Norte são dominadas pelo governo central, ainda no mês de agosto. Porém a revolução iniciada em São Paulo se estenderá por um período de quase três anos, marcando profundamente a vida política do país, preparando o advento da terceira e decisiva ofensiva revolucionária, em 1930. Sertões Paulistas
Durante os primeiros dias em que a luta era travada na cidade de São Paulo, os insurretos assumiram o controle de Rio Claro, Jundiaí e Campinas, através do 5º Batalhão de Caçadores e do 2º Grupo de Artilharia de Montanha, unidades respectivamente sediadas na primeira e segunda localidades.
A partir do dia 18 de julho, três destacamentos revolucionários foram lançados sobre os principais eixos ferroviários do estado. Sob o comando do capitão Otávio Guimarães, o primeiro destacamento seguiria pelas ferrovias Paulista e Mogiana, na direção Oeste, com o objetivo de neutralizar as penetrações governamentais vindas de Mato Grosso. O segundo, comandado pelo tenente João Cabanas, tomaria o rumo Norte, através da Mogiana, visando conter infiltrações procedentes do sul de Minas. O outro, chefiado pelo capitão Paulo Francisco Bastos, marcharia na direção Sul, pela Sorocabana, para impedir ou retardar a progressão de forças provindas do Paraná.
Essas providências foram decisivas para evitar o cerco da capital e manter aberto o caminho para a retirada das tropas revolucionárias – opção que, naquele momento, começava a afigurar-se como único meio de salvar São Paulo da destruição provocada pelo criminoso bombardeio levado a cabo pelas forças governistas. Apesar de não produzir baixas significativas entre as forças revolucionárias, o bombardeio, iniciado em 12 de julho, espalhava o pânico e a morte entre a população civil. Em dezesseis dias, mais de 1.800 edificações foram arrasadas, entre as quais uma centena de fábricas e estabelecimentos comerciais.
O destacamento de Otávio Guimarães – tenente do Exército, comissionado na função de capitão – dirigiu-se para a estratégica cidade de Bauru, ponto de convergência de três estradas de ferro, onde havia uma forte oposição disposta a prestar integral apoio aos revolucionários.
O inquérito realizado pela Polícia Militar de São Paulo atesta que a missão foi realizada com êxito. Diz o documento: “Fazendo de Bauru o centro de suas proezas... mandara ocupar, desde logo, Agudos, Dois Córregos, Jaú e Bocaina, o que foi realizado com felizes incursões pelo civil dr. José Giraldes Filho, comissionado tenente... Determinou o delegado militar de Jaú a ocupação de Mineiros do Tietê e Bica de Pedra... Tomaram a Estrada de Ferro Douradense, cujos empregados, levados pela propaganda revolucionária, aderiram francamente ao levante, passando a obedecer o delegado militar de Jaú”.
A ameaça de infiltração de tropas paranaenses não se efetivou. Poucos dias depois o destacamento do capitão Paulo Francisco Bastos retornava a São Paulo. 3. A Coluna da Morte. O tenente João Cabanas, do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar – denominada, na época, Força Pública Paulista – tinha um problema difícil de ser resolvido através dos meios convencionais de combate. À frente de um destacamento composto de 95 homens, sua missão era bloquear o general Martins Pereira, vindo de Minas ocupara Mogi-Mirim, Jaguari e Itapira com 800 soldados que compunham a vanguarda de sua tropa. Dispunha ainda a força invasora de 1.000 homens estacionados em Ribeirão Preto, e 1.200 que haviam atingido as cidades mineiras de Jacutinga e Pouso Alegre. O general tencionava atacar Campinas, fechando o cerco aos revolucionários na capital. que
Dispondo de poucos elementos para desestabilizar e fazer recuar uma tropa cujos efetivos totais chegavam a 3.000 homens, o tenente Cabanas deslocava-se com estudado espalhafato, tendo chegado a se valer de um trem especialmente preparado para parecer armado dos mais mortíferos engenhos militares da época. Na verdade, o veículo era uma réplica cenográfica do trem blindado utilizado semanas antes pelas forças revolucionária no ataque à estação de Vila Matilde, na cidade de São Paulo. No vagão da frente, um imponente e temível canhão de 155 mm. Só observando-o bem de perto se perceberia o logro. Segundo afiança o tenente, o artefato fora fabricado “com a melhor peroba produzida no solo paulista, enegrecida com algumas pinceladas de piche”. Assim, antes mesmo de ser atingido pelos disparos dos comandados de Cabanas em seus desconcertantes ataques, o general Martins Pereira era fustigado pela nascente lenda da Coluna da Morte. Antecedido pela fama que começara a granjear, o batalhão do tenente Cabanas, em sua marcha para Mogi-Mirim, surpreendeu os ocupantes da cidade com arrasador telegrama endereçado a uma cidade vizinha: “Seguimos madrugada, mil homens, seis peças de artilharia, vinte metralhadoras. Providêncie, urgente, alojamentos para tropa”.
Incontinenti a Coluna da Morte atacou e dominou as posições mais fracas do inimigo, em Jaguari e Itapira. Foi o suficiente para que o general governista ordenasse a desocupação de Mogi-Mirim, aliviando a pressão sobre Campinas. Perdendo o respeito pelo adversário, Cabanas decidiu persegui-lo, marchando sobre Ribeirão Preto, onde conseguiu dispersar a força inimiga valendo-se dos mesmos métodos.
Contida a ameaça de infiltração das tropas de Minas, o tenente solicitou autorização para ampliar o raio de ação da Coluna da Morte. Pretendia acossar e dispersar as quatro brigadas formadas pelos próceres do PRP – Partido Republicano Paulista. Concentradas em Itapetininga e Sorocaba, essas forças irregulares, compostas de jagunços e peões capturados a laço, levavam o nome de seus ilustres organizadores: Washington Luís, Fernando Prestes, Júlio Prestes e Ataliba Leonel – respectivamente, o ex-governador, o vice-governador, o futuro governador e um senador estadual.
A autorização não foi concedida. Já a essa altura contando com 200 combatentes, a Coluna da Morte voltou-se então para Espírito Santo do Pinhal, onde o general Martins Pereira procurava reorganizar suas forças. Derrotado mais uma vez, o general abandonou no campo de batalha 1.200 fuzis, 14 caixas de munição de artilharia, duas metralhadoras pesadas e farta munição de infantaria.
O Papel da Imprensa Sob o impacto das investidas de Otávio Guimarães e João Cabanas, as autoridades revolucionárias comandaram também a ocupação de São Carlos, Araraquara, Jaboticabal, Limeira, Araras, Pirassununga e Descalçado. Batida no campo de batalha por modestos tenentes, a oligarquia cafeeira empenhou-se em estigmatizá-los através da imprensa.
Otávio Guimarães era apresentado como um celerado que saqueava, em proveito próprio, os cofres das estações ferroviárias, prefeituras e câmaras municipais. De Miguel Costa diziam que desviava produtos requisitados para suprimento das forças revolucionárias. Sob o título “Busca e apreensão na casa da irmã de um dos chefes dos bandoleiros”, o Correio Paulistano forjava, em 31 de julho, a prova do crime:
“O sr. dr. Edgard Botelho, delegado da 1ª circunscrição da capital... realizou ontem, às 13h, uma busca na casa da rua Tabatingüera, 84-A, residência da irmã do major Miguel Costa, chefe dos elementos sublevados da Força Pública Estadual, o ‘remodelador da moral republicana brasileira‘, onde apreendeu as seguintes mercadorias: 1 caixão de latas de sardinhas, 2 caixões de cebolas, 1 saco de milho, 2 caixões de sabão, 3 sacos de sal... 1 pneumático, 5 réstias de alho, 16 galinhas, 1 peru, 2 leitões, 15 latas de atum, 2 latas de pescada, 4 latas de leite condensado, 1 lata de vaselina... Um verdadeiro armazém!”. Já o tenente Cabono foi contemplado com pérolas do seguinte quilate:
“Na torva galeria dos malfeitores que a revolta engendrou destaca-se, num fundo rubro-negro, ora a rir como jogral num circo, ora a gesticular como epilético em paroxismo trágico, a figura do tenente Cabanas, da Força Pública de São Paulo”...Cabanas surgiu no ambiente lôbrego da revolta como seu mais perfeito símbolo. No cérebro onde se fluidificam vapores de insânia e de delírio perpassam-lhes como relâmpagos visões trágicas e grotescas... Para a execução dos planos sinistros e instantâneos que idealiza todos os meios lhe servem”.A síntese desses juízos foi expressa pelo Correio Paulistano, através do seguinte epíteto: “O famigerado João Cabanas, a alma danada da revolução”. Empenhavam-se os escribas em compor o perfil de um ser maligno, sanguinário ao extremo, que se comprazia em torturar prisioneiros cortando-lhes a língua e arrancando-lhes os olhos a ponta de espada. Em breve estariam circulando histórias de que Cabanas protegia-se das balas cobrindo-se com uma invulnerável capa negra que lhe fora presenteada pelo próprio Satanás. Alheio às maledicências, o tenente ultimava os preparativos para a realização de um plano de invadir o triângulo mineiro e marchar sobre Belo Horizonte, quando foi informado que os revolucionários começavam a retirar-se de São Paulo, devendo a Coluna da Morte tomar o rumo de Campinas, para alcançar o grosso da força revolucionária em deslocamento para Bauru. 5. Reorganização em Bauru. Às 22h do dia 28, as forças revolucionárias iniciaram a retirada estratégica pelo eixo ferroviário São Paulo-Campinas-Bauru. São treze composições ferroviárias, com quatorze a dezesseis vagões, cada uma delas, conduzindo homens e material bélico. Toda a tropa, seis baterias de artilharia com seus acessórios e munição, duzentos cavalos, metralhadoras pesadas, equipamento de infantaria e cavalaria, viaturas, tudo foi embarcado com incrível rapidez, sem dar chance ao inimigo de perceber o que estava acontecendo. Os trens correram com um sincronismo tal que não houve embaraço nas linhas, ao longo de vinte e quatro horas. Os dias seguintes são dedicados à reorganização da tropa e à definição do plano de campanha para as novas condições de luta.
Os 3.000 homens, originários das unidades do Exército, Polícia Militar e Batalhões Patrióticos – formados por voluntários civis – são organizados em três brigadas, um regimento de cavalaria, um regimento misto de artilharia, escolta do QG e Estado-Maior.
O contingente militar do estado era de pouco mais de 11.000 homens, dos quais 7.538 da Polícia Militar e 3.700 do Exército. Cerca de um terço integravam agora as fileiras revolucionárias. Nos quartéis, pelo menos outro terço simpatizava abertamente com a revolução.
A 1ª Brigada, sob o comando do general Bernardo de Araújo Padilha, é composta pelo 1º e 2º Batalhão de Caçadores, chefiados pelos majores Luís França de Albuquerque e Tolentino de Freiras Marques. Padilha era coronel e comandava o 5º Batalhão de Caçadores, de Rio Claro.
O comandante do 2º Grupo de Artilharia de Montanha, de Jundiaí, tenente-coronel Olinto Mesquita de Vasconcelos, assume, no posto de general, a chefia da 2ª Brigada, integrada pelo 3º e 4º Batalhão de Caçadores, comandados pelos majores Juarez Távora e Nelson de Mello.
A 3ª Brigada, tendo à frente o general Miguel Costa, é composta pelo 5º, 6º e 7º Batalhão de Caçadores, respectivamente comandados pelos majores Coriolano de Almeida, João Cabanas e Arlindo de Oliveira.
O Regimento de Cavalaria tem no comando o general João Francisco. O Regimento Misto de Artilharia segue as ordens do tenente-coronel Newton Estilac Leal. O chefe do Estado-Maior do general Isidoro é o coronel Mendes Teixeira. Todos os oficiais investidos nas novas funções de comando foram promovidos a postos superiores aos que ocupavam quando o levante teve início. 6. Plano de Campanha. O plano de campanha previa o deslocamento da Divisão São Paulo para Porto Tibiriçá, última estação da Sorocabana, situada na margem esquerda do rio Paraná, divisa com o estado de Mato Grosso. Dali, a opção preferencial do general Isidoro, comandante da Divisão, era a de subir o rio e penetrar no Mato Grosso, através de Três Lagoas. A adesão da guarnição de Campo Grande, previamente comprometida com a revolução, propiciaria a ocupação de toda a região que corresponde hoje ao estado do Mato Grosso do Sul. O general João Francisco tinha uma opinião diferente. Acreditava que de Porto Tibiriçá as forças revolucionárias não deveriam subir o rio, mas descê-lo, invadindo os sertões paranaenses e ocupando a faixa que vai de Guaíra a Foz do Iguaçu, zona produtora de sólida situação estratégica. A razão principal da escolha se devia ao fato dessa posição favorecer uma futura junção com as forças revolucionárias do Rio Grande do Sul, em cuja insurreição o general depositava suas maiores certezas e esperanças. Em seu modo de ver, a abertura da nova frente renovaria e ampliaria as forças revolucionárias, criando as condições para que elas retomassem a ofensiva. Sem que isso ocorresse, o movimento, condenado à defensiva, acabaria por definhar. Prevaleceu, no entanto, nesse primeiro momento, a opção por Mato Grosso. Foram então mobilizadas as unidades que deveriam dar cobertura ao deslocamento da coluna. 7. Porto Tibiriçá
Otávio Guimarães dirigiu-se para Araçatuba, com 150 homens. Sua missão era fixar no terreno as forças do general governista Nepomuceno Costa, até que fosse completada a entrada de toda a tropa em Mato Grosso. Para a realização da marcha de Bauru até Porto Tibiriçá, era preciso dar uma volta, recuando para Botucatu, até Rubião Júnior, e depois avançando pelo ramal da Sorocabana que passa por Avaré, Ourinhos, Presidente Prudente e Presidente Epitácio.
O Batalhão Cabanas toma então posição em São Manoel e nos arraiais de Toledo, Redenção e Igualdade – na direção de Dois Córregos. O Batalhão Távora segue para Botucatu. A missão de ambos é impedir que as forças do general Azevedo Costa embaracem a progressão da Divisão.
No dia 31 de julho inicia-se o deslocamento, na seguinte ordem: Brigada Padilha, Brigada Mesquita, Cavalaria do general João Francisco, QG, Brigada Miguel Costa. Às 22h do dia seguinte estava terminado o escoamento de todas as unidades em Rubião Júnior. Às 23h, embarcam na esteira do grosso o Batalhão Távora, seguido pelo Batalhão Cabanas, designado para fazer a retaguarda.
Através da longa travessia os revolucionários são estimulados pelo entusiasmo da população. Avaré, Cerqueira César, Ourinhos, Salto Grande vibram com a sua passagem.
Em 5 de agosto chegam a Assis. São recebidos com festas e missa campal – naquele dia se comemorava um mês de luta revolucionária. Foi realizado um comício e editado o primeiro número do jornal O Libertador, que teria mais quatro edições produzidas naquela cidade.
A 6 de agosto, a vanguarda da Divisão, composta pela Companhia Gwyer, do 1º Batalhão de Caçadores, reforçada por uma seção de metralhadoras, atinge Porto Tibiriçá. Num ataque relâmpago aprisiona os vapores Guaíra, Paraná, Rio Pardo, Brilhante e Conde de Frontim.
Na retaguarda, comandando um batalhão composto de 380 praças, bem armados e municiados, quatro metralhadoras pesadas e uma peça de artilharia, o major Cabanas dinamita pontes e provoca obstruções na via férrea, para retardar a marcha das forças que vêm no encalço da coluna. Em seu relato, ele considera que esse trabalho foi facilitado pela “anarquia nas tropas governistas”. Uma das razões que aponta é a seguinte: “Na minha estadia em Mandurí, recebia informações detalhadas do que se passava em Avaré. Nesta cidade pararam os comboios que conduziam a vanguarda da perseguição,,, cujos oficiais faziam preceder os respectivos trens de alguns vagões repletos de prostitutas, requisitadas a 100 mil-réis, diários e por cabeça, recrutadas nos bordéis de Sorocaba e Botucatu”.
Vencendo duas escaramuças, em Salto Grande e Indiana, e dois combates de maior vulto, em Santo Anastácio e Cayuã, o Batalhão Cabanas atinge Porto Tibiriçá, no dia 13 de setembro.
Nos 38 dias decorridos entre a chegada da vanguarda da Divisão e de sua retaguarda ao rio Paraná, a marcha dos acontecimentos ditou a alteração dos planos revolucionários. Fracassara a invasão do Mato Grosso. Todas as esperanças voltavam-se para a conquista de Guaíra.
A Conquista de Guairá
O Batalhão Távora fora batido, em 18 de agosto, na margem mato-grossense do rio Paraná, quando tentava ocupar Porto Independência, passo preliminar para a conquista da cidade de Três Lagoas.
Conta o seu comandante que o batalhão fora “reforçado pela Companhia Gwyer e Companhia Azhaury, ambas do 1º Batalhão de Caçadores, e uma seção de artilharia comandada pelo capitão Felinto Muller, somando um efetivo global de 570 homens”.
A tropa era numerosa e experiente. No entanto, sofreu um grave revés, conforme relata o major Távora:
“Deixava o Batalhão, no campo de combate, entre mortos, feridos e prisioneiros, um terço de seu efetivo, aí incluídas as duas seções de metralhadoras pesadas”.
Uma semana depois da trágica investida, começa a descida do rio Paraná. O plano é escoar a Divisão em escalões sucessivos, em direção à Guaíra.
A vanguarda, sob o comando do general João Francisco, é composta pelo 3º e 4º Batalhão de Caçadores, da Brigada Mesquita de Vasconcelos, reforçada por uma seção de artilharia montada e um piquete de cavalaria. O 3º Batalhão de Caçadores, debilitado pelas baixas sofridas em Mato Grosso, fora reorganizado, absorvendo a Companhia Azhaury que antes integrava o 1º Batalhão.
Embarcada em três navios e um pontão, a expedição aprisiona, no dia 26 de agosto, a lancha Iguatemi, da Companhia Mate Laranjeira, que conduzia uma patrulha governista.
Os prisioneiros informam que o capitão Dilermando Cândido de Assis, responsável pela defesa de Guairá, mantinha 200 homens em Porto São José, na margem paranaense do rio, três léguas abaixo da foz do Paranapanema - divisa do estado de São Paulo. Na outra margem, o grileiro Quincas Nogueira dominava Porto São João. Nogueira era um homicida disputado pela Justiça do Rio Grande do Sul, de Rosário – Argentina – e Santa Rosa – Uruguai. Fugira da cadeia de Corrientes, em outubro de 1913, instalando-se nos ervais mato-grossenses. O governo, em seu esforço de guerra, concedera-lhe a patente de tenente-coronel da reserva do Exército.
A força revolucionária dividiu-se para enfrentar a nova ameaça – um destacamento continuaria pela via fluvial, outros seguiriam por terra, para surpreender os elementos governistas entrincheirados nas duas margens do rio Paraná.
A iniciativa valeu a conquista de Porto São João, em 30 de agosto, e Porto São José, no dia seguinte.
Em 14 de setembro, após um confronto com as forças do capitão Dilermando, na ilha do Pacu, os revolucionários conquistam Guaíra. Haviam descido 200 km do rio Paraná, em 20 dias. Percorreriam outros tantos, nas duas semanas seguintes. Preparando a Frente Sul
A cidade era uma sólida cabeça-de-ponte para a concentração do grosso revolucionário no sudoeste paranaense. O escalão de vanguarda tratou logo de alargá-la, ocupando Porto Mendes, situado 60 km abaixo de Guaíra – nesse mesmo trecho, paralela ao rio corria a estrada de ferro da empresa Mate Laranjeira. No dia 15 de setembro, a Companhia Azhaury ocupou também Porto São Francisco, 20 km ao sul de Porto Mendes. Acometido de pneumonia dupla, o capitão Azhaury de Sá Brito morreria poucos dias depois. Azhaury era tenente, no 5º Regimento de Infantaria, de Lorena. Enviado para combater a rebelião na capital paulista, levantara sua companhia integrando-a as hostes revolucionárias.
A 26 de setembro, depois de haver ocupado Porto Britânia, o 3º Batalhão de Caçadores chega a Foz do Iguaçu, fazendo o percurso através de picadas que margeiam o rio Paraná. Nessa cidade se realiza, em 5 de outubro, o encontro longamente esperado pelo general João Francisco. Emissários estabeleciam contato com a Divisão, a fim de coordenar os esforços para promoverem um levante de grande envergadura no estado do Rio Grande do Sul.
Para a abertura da nova frente, o general João Francisco acreditava poder contar com diversas unidades do Exército situadas nas fronteiras sul e oeste daquele estado. Além disso, esperava também a adesão dos generais maragatos e seus lendários cavaleiros. Embora agindo cada qual por conta própria, os chamados caudilhos manifestavam especial consideração pelas opiniões do Dr. Assis Brasil, chefe da Aliança Libertadora. João Francisco nascera e se formara nas lides da fronteira gaúcha. A adaga da qual não se afastava, sempre visível entre o cinturão e a túnica, não deixava dúvida quanto às suas origens. Sobrevivente da Guerra Federalista de 1893, cavalgara com os chefes maragatos.
A delegação que acabara de chegar para a reunião confirmava as suas expectativas. Ao lado do tenente Siqueira Campos, herói do Forte Copacabana, sentavam-se os majores maragatos Alfredo Canabarro e Anacleto Firpo, representando os generais Honório Lemes, Zeca Neto e o Dr. Assis Brasil. A situação, segundo eles, estava madura. A rebelião poderia ser iniciada em menos de um mês. Esperavam apenas a manifestação da Divisão Paulista sobre a oportunidade de deflagrá-la. Chimangos e Maragatos
No final do século 19, uma profunda divisão entre os gaúchos dera origem a sangrentas disputas.
Os chimangos detinham o controle do governo do estado, desde a proclamação da República, com Júlio de Castilhos e, em seguida, Borges de Medeiros.
Nas eleições presidenciais de 1922, o chefe do Partido Republicano Rio-Grandense marchara contra a candidatura oficial, sustentada pela oligarquia paulista. Visando enfraquecê-lo, os maragatos apoiaram o candidato oficial, Artur Bernardes, e lançaram Assis Brasil ao governo do Rio Grande do Sul.
Contestando o resultado das eleições ao governo do estado, iniciaram os maragatos, em janeiro de 1923, uma rebelião armada para derrubar Borges de Medeiros.
O governo federal escusou-se de intervir na contenda, permitindo que ela se aprofundasse. Em seguida, passou a costurar um pacto segundo o qual os partidários de Assis Brasil aceitariam que Borges concluísse o mandato, em troca de não mais poder submeter sua candidatura à reeleição.
O Pacto de Pedras Altas, celebrado em dezembro de 1923, no entanto, não pacificou o Rio Grande.
Acreditando que a oligarquia paulista havia estimulado sua rebelião com o intuito de utilizá-la em benefício próprio, como instrumento para submeter Borges de Medeiros, os maragatos estavam dispostos a voltar suas armas contra ela. Isidoro desautoriza João Francisco
O general João Francisco não perde tempo. No dia 8 de outubro, os emissários estão de volta. Em sua companhia viaja o major Távora. O general Mesquita, que havia transferido o comando da 2ª Brigada ao tenente-coronel Estilac Leal, assumindo a função de superintendente-geral do Serviço de Transporte, também foi mobilizado para uma operação delicada: a de transportar os recursos financeiros para a aquisição de armas e munições necessárias aos revolucionários gaúchos.
Dias depois as providências tomadas por João Francisco dão origem a um sério desentendimento entre ele e o general Isidoro.
O grosso da Divisão ficara sitiado por vários dias nas ilhas situadas pouco acima de Porto São José, perdendo o contato com a vanguarda. Os combates travados produziram muitas baixas – a principal delas foi a perda completa do 7º Batalhão de Caçadores.
Além de defrontar-se com o inimigo tradicional, os revolucionários eram castigados por um novo adversário ao qual não estavam ainda adaptados, e que assim foi descrito pelo tenente Cabanas:
Dormir alguém em uma ilha, embora respirando a fragrância de flores desconhecidos ou embalado pelo rumorejar das águas é quase um sacrifício; nuvens de mosquitos em formação aérea de combate nos atacam aos grupos... Depois os carrapatos de diversos físicos... Além, a infantaria das formigas, num desfilar incessante, ferrão em riste... as urtigas, a unha de gato, a tiririca, o agulheiro de taquaruçu, o vespeiro que aprece ao quebrar-se um galho, as aranhas monstruosas, a taturana, a manada furiosa de queixadas e caetetus, o bicho do pé que aos milhares irrompem dos excrementos do tapir.
Em razão desses percalços, só em 20 de outubro o general Isidoro consegue chegar a Guairá e Porto Mendes, onde se-encontrou com João Francisco, pela primeira vez, desde que este partira de Porto Tibiriçá. A discussão foi áspera. João Francisco argumenta que a situação do Rio Grande do Sul exigira uma decisão rápida. Isidoro contesta, considera especialmente absurdo o fato de ele haver utilizado três quartas partes dos recursos financeiros da revolução numa “aventura”.
Isidoro envia depois uma carta a João Francisco informando que vai desautorizar suas iniciativas junto aos revolucionários gaúchos. Ele diz:
Vou agir e deliberar de acordo com o meu modo de ver e vou também entender-me diretamente com os amigos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande, a fim de combinarmos uma ação conjunta.
Antes que João Francisco possa ler a missiva, estoura o levante no Rio Grande do Sul.
Insurreição no Rio Grande do Sul
No dia 29 de outubro, o primeiro manifesto das forças revolucionárias anunciava a eclosão da revolução no estado: “Hoje... levantam-se todas as tropas do Exército das guarnições de Santo Ângelo, São Luís, São Borja, Itaqui, Uruguaiana, Alegrete, Santana, Dom Pedrito; Jaguarão e Bagé; hoje, irmanados pela mesma causa e pelos mesmos ideais, levantam-se as forças revolucionárias gaúchas de Palmeira, de Nova Wuertemburg, Ijuí, Santo Ângelo, e de toda a fronteira até Pelotas. E hoje entram em nosso estado os chefes revolucionários Honório Lemes e Zeca Neto, tudo de acordo com o grande plano organizado”.
O plano previa o levante simultâneo das unidades do Exército e dos chefes maragatos. O objetivo era formar duas colunas, a do Sul e a do Oeste, que marchariam, respectivamente, sobre Santa Maria e Cruz Alta. Realizadas essas operações, as forças revolucionárias se deslocariam para o Norte, visando a capital da República, batendo de passagem as tropas que pressionavam a Divisão São Paulo, no Iguaçu. A movimentação dentro do Rio Grande do Sul deveria realizar-se com a máxima rapidez, para reduzir ao mínimo o contato com as forças de Borges de Medeiros, a fim de concentrar o esforço revolucionário contra o governo federal e seu sustentáculo, a oligarquia cafeeira.
Nem tudo correu conforme o esperado.
Na zona oeste, o capitão Luís Carlos Prestes e o tenente Mário Portela Fagundes sublevaram o Batalhão Ferroviário de Santo Ângelo. O tenente João Pedro Gay levantou o 3º Regimento de Cavalaria Independente, de São Luís Gonzaga das Missões. Os tenentes Siqueira Campos e Aníbal Benévolo assumiram o controle de São Borja, levantando o 2º Regimento de Cavalaria Independente. Porém a guarnição de Itaqui, situada entre São Borja e Uruguaiana, não aderiu à revolução. A ofensiva sobre Itaqui, para consolidar o controle sobre o Oeste, desarticulou parte importante das forças revolucionárias de São Borja, custando a vida do tenente Benévolo.
Na fronteira sul, apenas Uruguaiana cerrou fileiras com a revolução. O major Távora e o tenente Edgard Dutra foram os responsáveis pelo levante do 5º Regimento de Cavalaria Independente, que guarnecia a cidade. Violentos combates, na faixa da fronteira uruguaia, arrastaram-se durante dois meses. As forças revolucionárias, compostas pelos gaúchos dos generais Honório Lemes e Zeca Neto, pelo 5º Regimento de Cavalaria, de Uruguaiana, e uma seção do Regimento de Artilharia a Cavalo, de Alegrete, acabaram se chocando pesadamente contra os corpos provisórios que constituíam a nata da força militar chimanga. Reunindo cerca de 10.000 homens, agrupados em cinco brigadas, essas unidades tinham entre seus principais organizadores Flores da Cunha, Osvaldo Aranha, Paim Filho, Claudino Nunes Pereira e Getúlio Vargas. As forças que marcharam unidas, a partir do Rio Grande do Sul, seis anos mais tarde, para promover a Revolução de 30, se defrontavam, naquele momento, no campo de batalha.
A Revolta do Encouraçado São Paul A insurreição no Rio Grande do Sul foi um chamamento para que outras ações revolucionárias fossem desencadeadas.
No dia 5 de novembro, o encouraçado São Paulo se revolta seguido pelo contratorpedeiro Goiás. Atacados pelos canhões das fortalezas de Santa Cruz e Copacabana, o Goiás se rende. O São Paulo contra-ataca e silencia as duas fortalezas. Os 600 marinheiros revolucionários comandados pelo tenente Hercolino Cascardo, apoiado por seis tenentes, haviam tido grande dificuldade para dominar o navio, em razão da resistência oferecida por parte da tripulação que navega, agora, devidamente trancafiada: praças e sargentos no paiol, os oficiais em seus respectivos camarotes.
O São Paulo e o Minas Gerais, duas das mais potentes belonaves da época, eram o orgulho da Marinha. Para o povo, constituíam-se num importante símbolo das nossas potencialidades. Por seis dias, o encouraçado rebelado navegou seguido da esquadra capitaneada pelas Minas Gerais. Ambos evitaram o duelo que poderia pô-los a pique. A 11 de novembro o São Paulo fundeou em Montevidéu. Metade dos marinheiros sublevados por Cascardo decidem juntar-se às forças revolucionárias em luta no Rio Grande do Sul. Poucos dias depois, a 15 de novembro, na residência do major Martins Gouveia de Feijó, rua Cabuçu, número 58, a polícia apreendeu grande número de bombas de 10 e 15 kg fabricadas com dinamite. Foram detidos também o Capitão Costa Leite e o farmacêutico João Ferreira Chaves. A rede revolucionária, na capital da República, era extensa, possuindo bases sólidas no 15º Regimento de Cavalaria, 1º Batalhão de Engenharia, Regimento de Artilharia de Montanha, Companhia de Carros de Assalto e Escola Militar de Realengo.
A 4 de janeiro dezenas de prisões desarticularam, em São Paulo, a execução do plano revolucionário de atacar o edifício da Imigração, transformado em cárcere político. Lá se encontravam presos o general Ximeno de Villeroy e o major Arlindo de Oliveira - genro do general João Francisco e comandante do 7º Batalhão de Caçadores da Brigada Miguel Costa. O plano previa o ataque simultâneo ao Comando Geral da Polícia Militar, Polícia Central, QG do Corpo de Bombeiros, por ex-oficiais de Itu, membros da Polícia Militar e civis. Até o final de 1926, as tentativas de promover novos levantes em apoio à ação do exército revolucionário não cessaram, lotando as cadeias com milhares de presos políticos, dos quais 1.200 foram enviados para a Colônia Agrícola da Clevelândia, situada no Oiapoque, divisa com a Guiana Francesa. Só 179 saíram de lá com vida.
Nas Trincheiras de Catanduvas Desde a ocupação de Guairá, o general João Francisco promovia o alargamento da cabeça-de-ponte conquistada não só em direção à Foz de Iguaçu. Logo nos primeiros dias um pelotão de cavalaria era lançado, rumo leste, pela estrada carroçável que liga Porto São Francisco à Catanduva. O arraial encravado no alto da serra, única via de penetração direta do planalto para o cânion do médio Paraná, estava situado sobre a estratégica rodovia que liga Guarapuava a Foz do Iguaçu.
Progredindo por essa rodovia, em direção à Guarapuava, o pelotão ocupou a localidade de Lopeí, a 90 km da barranca do rio Paraná.
Posteriormente, o 4º Batalhão de Caçadores, comandado pelo major Nelson de Mello, estendeu o domínio sobre a rodovia, atacando as forças governistas em Formigas. Estas recuaram, indo entrincheirar-se na Serra do Medeiros, defronte à localidade de Belarmino.
Em Belarmino foi fixada a 2ª Brigada, com dois batalhões de Infantaria, reforçados pelo regimento de cavalaria e uma seção de artilharia. O posto de comando foi instalado em Isolina, na estrada Iguaçu-Cascavel. Também na mesma carroçável, situada atrás das linhas revolucionárias, duas seções de artilharia, enfermaria, intendência e oficina mecânica reforçavam as unidades sob comando de Estilac Leal. A localidade era conhecida pelo nome de Depósito Central.
Em Foz do Iguaçu instalou-se o QG da Divisão. Em Guaíra, a Brigada Padilha. Entre Porto Mendes, Porto São Francisco e Santa Helena, a Brigada Miguel Costa.
Uma picada que vinha em curva de Guarapuava até Porto Mendes, cruzando o rio Piquiri e deixando Catanduvas à sua esquerda, expunha o flanco revolucionário. A 23 de outubro, o Batalhão Cabanas foi incumbido de guarnecê-lo. O ponto em que a picada cruzava o Piquiri, situado 32 léguas a leste da margem do Paraná, ficava dentro dos ervais do latifundiário argentino Júlio Allica. Em regime de trabalho escravo, cerca de 1.000 mensus - paraguaios contratados como mensalistas - eram ali violentamente explorados. Cabanas libertou-os depois de aplicar uma “surra de espada” no capataz Santa Cruz, cunhado de Allica. O capataz e os jagunços foram expulsos do local. Cerca de 200 trabalhadores incorporaram-se ao 6º Batalhão de Caçadores – esses homens, afeitos ao serviço de abertura de picadas, seriam de grande importância nas futuras ações do batalhão. A partir desse episódio a Companhia Mate Laranjeira, concorrente de Allica na região, redobrou a deferência que passara a dispensar aos revolucionários desde que estes haviam ocupado localidades e portos vitais para a companhia.
A região sob domínio das forças revolucionárias no sudoeste paranaense possuía área equivalente ao território da Suíça. A produção interna e a fronteira com dois países, Paraguai e Argentina, tornava viável as possibilidades de abastecimento.
A única mudança significativa nas posições ocupadas pela Divisão São Paulo foi o recuo da linha avançada, de Belarmino para Catanduvas, no início do mês de janeiro, após combates iniciados em 15 de novembro.
A Guerra de Posição O general Cândido Rondon, comandante da guarnição militar dos estados de Santa Catarina e Paraná, assumira o comando geral dos 12.000 homens das forças governistas mobilizadas para combater os revoltosos.
Nos seus 43 anos de vida militar, o general havia obtido respeito e admiração de seus patrícios pelo trabalho pioneiro que desenvolvera como pacificador de indígenas e desbravador de uma imensa área do território nacional, enquanto cumpria a extenuante missão de estender 2.270 km de linhas telegráficas através da região amazônica.
Em 1922, Rondon havia apoiado Nilo Peçanha contra Bernardes, nas eleições para presidente da República, tendo inclusive chegado a participar das articulações que visavam impedir a posse do segundo por meios insurrecionais, conforme relata o general Flores da Cunha:
“Posso depor quanto à participação ativa dos republicanos rio-grandenses para articular um movimento violento contra o governo da República e o candidato por ele sustentado. Dentre outros recebi em Uruguaiana visitas alternadas dos generais Cândido Rondon, Ximeno de Villeroy e o tenente Adalberto Moreira, recomendados pelo dr. Borges de Medeiros... Dos visitantes era o general Rondon o mais reservado, sem ocultar entretanto a mais formal repulsa aos processos de compressão praticados com flagrante desvirtuamento do regime republicano”.
Assim como Borges de Medeiros, Rondon recuara dessa posição. Os insurretos, porém, mantinham a expectativa de que o general não se deixaria usar pela oligarquia cafeeira a ponto de assumir o comando da ação repressiva. Foi com pesar que eles viram essa esperança se desvanecer.
O plano de Rondon para enfrentá-los era aumentar gradativamente a pressão sobre as linhas revolucionárias, acumulando o maior número possível de homens e armamento, a fim de forçá-los a retroceder, passo a passo, em direção às fronteiras da Argentina e Paraguai, onde pretendia encurralá-los e obrigá-los a escolher entre a rendição e o exílio. Punha em prática a doutrina da guerra de posição, adotada amplamente na 1ª Guerra Mundial. Desde 1920, a Missão Militar Francesa, comandada pelo general Maurice Gamelin, repassava aos militares brasileiros sua comprovada experiência nessa matéria.
Reveses em Alegrete e Itaqui em 29 de outubro, quando estourava a rebelião nos quartéis do Rio Grande, o tenente João Alberto, servindo no 3º Regimento de Artilharia a Cavalo, de Alegrete, estranhou que o comandante de sua unidade, ao invés de dominar a força policial e assumir imediatamente o controle da cidade, tenha ordenado o seu deslocamento, com uma seção do regimento, até a ponte sobre o rio Capivari. O objetivo era guarnecer a posição até a chegada do trem que viria transportando forças do 5º Regimento de Cavalaria Independente de Uruguaiana, mobilizadas pelo major Távora para promover a ocupação de Alegrete.
Chegando às imediações cidade, na madrugada do dia 31, com 300 homens, o tenente João Alberto e o major Távora são surpreendidos pela violenta reação de uma tropa composta de 1.000 homens, comandados pelo dr. Osvaldo Aranha. Vindos de Santa Maria e Quarai, esses integrantes dos corpos provisórios, haviam ocupado Alegrete.
Depois de renhido combate, a força atacante recua, dividida em duas metades que perdem contato entre si. Separadamente, João Alberto e Távora conseguem chegar a Uruguaiana depois de diversas peripécias – o primeiro na noite do dia 31, o segundo dois dias depois.
Mal acabara de repousar, uma ligação telefônica informa ao major Távora que Siqueira Campos e Aníbal Benévolo iam atacar Itaqui, na madrugada do dia 4, e pediam o seu apoio. Acompanhado dos tenentes Edgard Dutra e João Alberto, ele parte para a região, com um destacamento de 200 homens. Porém as duas forças não conseguiram estabelecer contato. Diz ele:
“Como na manhã seguinte nenhum indício do ataque anunciado fosse observado, resolvi retornar a Uruguaiana, onde a situação não me parecia muito segura”. O desencontro foi fatal. Vindo de São Borja, com um esquadrão de 140 homens do 2º Regimento de Cavalaria Independente, Siqueira Campos estava nas proximidades de Itaqui, aguardando reforços para desfechar o ataque. A defesa da cidade, que sediava o 4º Grupo de Artilharia a Cavalo, fora acrescida de 400 provisórios comandados por Osvaldo Aranha, que rapidamente se deslocara de Alegrete e pela segunda vez se interpunha no caminho de seus futuros aliados. De Santiago, marchava outro contingente de provisórios, para imprensar a força atacante entre dois fogos. As unidades do Batalhão Ferroviário, mobilizadas de São Luís em seu socorro, pelo tenente Mário Portela Fagundes, não puderam evitar o desastre.
O tenente Benévolo, que cobria a retaguarda de Siqueira, com 70 combatentes, resiste por três horas ao ataque do adversário, até tombar sem vida. Siqueira e Portela retiram-se para o rio Ibicuí, 30 km ao sul. Na iminência de serem cercados, dispersam a tropa em pequenos grupos que retornam cavalgando para São Borja ou se internam nas matas do rio Uruguai, visando atravessá-lo, para chegar à Argentina. Ao atingir a margem, o grupo de 54 homens que seguia com Siqueira não encontra embarcação disponível. O tenente Mário Portela Fagundes, relata o desfecho do episódio:
“Siqueira estava, porém disposto a salvar as suas tropas...E resolveu então praticar um gesto que o deixou altamente dignificado perante os companheiros que já se haviam habituado a admirar-lhe a valentia... tomou um pneumático, amarrou-o ao peito e atirou-se sozinho às águas do Uruguai, frias e revoltas... Após duas horas e meia de natação entre piranhas e jacarés, Siqueira atingiu a margem e trouxe uma chalana que fez várias viagens, até que todos os homens alcançassem a margem portenha” O Leão de Caverá
O general Honório Lemes chegara a Uruguaiana no dia 30 de setembro, pouco antes de o major Távora haver partido para a frustrada missão em Alegrete. Veio acompanhado de 550 cavaleiros gaúchos, agrupados em três corpos. Poucos dias depois, um emissário de Santana do Livramento transmitiu-lhe o pedido de oficiais do 7º Regimento de Cavalaria Independente, ali sediado, para que aproximasse sua tropa da cidade, pois a presença da 2ª Regimento da Brigada Militar, impedia que eles assumissem o controle da localidade, sem o reforço solicitado.
O 5º Regimento de Cavalaria Independente, comandado pelo tenente Ambirre Cavalcanti, comissionado tenente-coronel, foi integrado à tropa chefiada pelo general Honório Lemes. O major Távora tornou-se o chefe de seu Estado-Maior. A coluna iniciou a sua marcha no dia 5, com 1.000 cavaleiros e 2.000 cavalos de remonta. Na manhã do dia 8, quando se preparava para deixar o acampamento de Guaçu-Boi, 10 léguas a leste de Alegrete, os corpos provisórios, sob o comando de Flores da Cunha, atacaram. A marcha noturna realizada pelo general Honório por atalhos desconhecidos, para encobrir a posição da coluna, fora detectada pela força atacante. Colhidas de surpresa, as tropas não conseguem organizar-se para o confronto. Conta o tenente João Alberto:
“O chão estava coberto de objetos diversos que caíam das carroças viradas. Instrumentos de música, bombos, sanfonas, cornetas, misturavam-se a lanças barracas e panelas... Honório galopava de um lado para o outro, no meio das balas, gritando: ‘estende linha, estende linha’ “.
A derrota foi dura. Restaram da antiga coluna menos de 200 homens. A maioria havia se dispersado para evitar o massacre, inclusive o tenente João Alberto, que retorna com um grupo para Uruguaiana e atravessa a fronteira argentina.
Mas Honório Lemes dá uma prova de porque merecera o título de Leão de Caverá. Penetrando naquela região, se reabastece e recompõe o seu exército, em menos de uma semana.
No dia 15, a coluna, com 800 homens, já está em marcha para a Estação de Remonta do Exército, em Saíça. Depois de dominar a guarnição, o general Honório armou uma emboscada contra o reforço de 300 provisórios que se deslocara de Rosário para o posto de remonta.
No dia 18, a coluna chega a Cacequi e destrói a estação telegráfica local. Honório Lemes manobrava para atrair em sua perseguição o 2º Regimento de Cavalaria da Brigada Militar, estacionado em Santana do Livramento. O coronel Januário Correia aceita o desafio. As duas colunas manobram, cada qual procurando despistar e envolver a oponente.
No dia 22, o general Honório envia o major Távora a Santana do Livramento, com a missão de alertar o 7º Regimento de Cavalaria de que atacaria a cidade no dia 24. Mas, no último momento, decide emboscar o coronel Januário, no desfiladeiro da Conceição. Na manhã de 23 de novembro, travou-se ali um sangrento combate, do qual saíra ferido o coronel Januário Correia, perdendo Honório seus dois melhores comandantes de corpo – os coronéis Catinho Pinto e Teodoro de Meneses.
Desfalcado de seus efetivos, o general maragato, rumando para Caçapava e depois para Camaquã, reuniu suas forças às do general Zeca Neto. Após muitas correrias, marchas e contramarchas destituídas de objetividade estratégica, sem munição e acossados pelos provisórios, emigram ambos, com os remanescentes de suas forças, para o Uruguai.
Protetor de Chimango Isolado em Santana do Livramento, o major Távora decide atravessar a rua que separa aquela cidade de Rivera, sua vizinha no Uruguai. Considerando esgotado seu papel na Frente Sul, o major prepara-se para retornar ao oeste paranaense. Antes, porém, faz uma visita à octogenária mãe de seu comandante de Brigada, durante a descida do Rio Paraná, o general João Francisco.
Ao apresentar-se, conta ele, foi “brindado com a seguinte declaração”: - Já conheço a sua fama de protetor dos chimangos. Perguntei-lhe meio perplexo porque me atribuía tal fama.- Porque o senhor acha que os chimangos podem degolar os soldados maragatos, mas nossos maragatos não podem degolar os chimangos...O major Távora lembrou-se então que após a emboscada contra os provisórios em Saicã, percorrendo o campo de batalha, ele verificara, com tristeza, que alguns adversários vencidos haviam sido degolados pelos vencedores. Protestara junto ao general Honório e dissera que não se sentiria à vontade como chefe do Estado-Maior de sua coluna se ele não fixasse uma proibição terminante àquele tipo de prática. Evidentemente, sua reprovação era extensiva aos atos de mesmo teor praticados pelas tropas adversárias, como o perpetrado em Los Galpones, ali nas proximidades de Rivera, quando sete marinheiros do encouraçado São Paulo, entre os quais um sobrinho do dr. Assis Brasil, haviam sido degolados ainda em território uruguaio. O desfecho de seu relato porém mostra que a velhinha era dura na queda:
“Meu esclarecimento não pareceu demover a senhora Pereira de Sousa de seus pontos de vista, pois treplicou-me, sem pestanejar: - Aí é que está o seu engano. O senhor pode fazer chegar o seu pito aos nossos soldados, por intermédio do general Honório. Mas não pode fazer o mesmo aos chimangos por intermédio de sinhô Cunha e outros de seus comandantes de degolas. Achei mais prudente calar-me para pôr termo ao incidente”. A Guerra de Movimento as derrotas em Itaqui e na fronteira uruguaia levaram as forças revolucionárias a concentrar-se na região de São Luís Gonzaga das Missões, distante 150 km da estrada de ferro mais próxima. Acampadas ali, duas unidades do Exército e centenas de gaúchos aguardavam a chegada dos remanescentes dos destacamentos que, abaixo do rio Ibicuí, haviam cometido a imprudência de reeditar aquilo que se pretendia evitar: as velhas peleas entre chimangos e maragatos.
João Alberto retornara da Argentina por São Borja. Permanecera fora do país apenas o tempo necessário para embarcar num trem e descer na cidade fronteiriça de São Tomé. De São Borja parte para São Luís, com 200 combatentes, originários do 2º Regimento de Cavalaria Independente, que iriam constituir-se no núcleo do 2º Destacamento, a força que estaria sob seu comando, na marcha da Divisão Rio Grande para o Paraná. Poucos dias depois chegava Siqueira Campos. O grande desafio, segundo relata João Alberto, era “transformar os insucesso e malogros de grupos desordenados em organização militar disciplinada, eficiente...”. A maior dificuldade era convencer os coronéis, majores e capitães maragatos a se enquadrarem numa estrutura militar única, combatendo de acordo com um plano estratégico geral, dentro do qual cada unidade tinha o seu papel determinado a cumprir.
Aos poucos os jovens tenentes foram superando os obstáculos, ajudados por figuras como o major Nestor Veríssimo, que aceitou o encargo de subcomandante do 2º Destacamento.
Outro dos gaúchos que mais contribuíram para o êxito dessa empreitada foi o coronel Luís Carreteiro, do qual João Alberto apresenta um significativo retrato: Era aproximadamente da minha altura (1,80), mas cheio de corpo. Bigode e barba. Cabelos abundantes e grisalhos. Tez escura, denotando mestiçagem... Trajava espetacularmente. Prendia as suas amplas bombachas de pano riscado um cinto largo, cheio de medalhas e enfeites de prata, que lhe caíam sobre as botas pretas, novas e altas, de sanfona. Esporas de prata com correntes e grandes rosetas tilintastes anunciadoras de seus movimentos. Ainda seguros ao cinto, dois revólveres calibre 38 e uma quantidade de balas. Circundava-lhe o pescoço um grande lenço vermelho... Do chapéu de abas largas, também novo, cinza escuro, pendia-lhe uma fita vermelha, onde se podia ler a frase: ‘não dou nem pido ventaje’”. Toda a tropa foi distribuída em três destacamentos sob comando do coronel Luís Carlos Prestes, com o tenente Siqueira Campos na chefia do Estado-Maior. Prestes recebera a promoção das mãos do general João Francisco, no início do mês de novembro, em São Borja. Foi o último ato do general, antes de seguir para o exílio.
O 1º Destacamento da Divisão Rio Grande foi confiado ao tenente Mário Portela Fagundes, o 2º Destacamento a João Alberto. O comando do 3º Destacamento coube ao tenente João Pedro Gay. Eram 2.000 homens. O bastante para refutar a afirmação de Isidoro na carta que provocara o afastamento do general João Francisco da Divisão São Paulo:
“Não creio nos três ou quatro mil homens que o senhor ficou de nos mandar para voltarmos pelo Paraná a São Paulo”.Renovaram-se as esperanças. A estratégia adotada seria a da guerra de movimento, enunciada por Prestes em carta ao general Isidoro com as seguintes palavras:
“Com a minha coluna armada e municiada, sem exagero julgo não ser otimismo afirmar que conseguirei marchar para o Norte, dentro de pouco tempo atravessar o Paraná e São Paulo, dirigindo-me ao Rio de Janeiro, talvez por Minas Gerais. Se a Divisão São Paulo igualmente movimentar-se, em vez de aceitar a guerra de trincheiras, e se marchar conosco em ligação estratégica, e talvez, em algumas circunstâncias, mesmo tática, impossível será ao governo obstar a nossa marcha”.
Siqueira Campos, João Alberto e Prestes eram revolucionários desde o levante que abalara a capital da Republica em 1922. Siqueira comandara a lendária marcha dos 18 do Forte. Exilado na Argentina, logo estabelecera contato com os quartéis da fronteira gaúcha. João Alberto fora preso em razão do malogro do levante da Vila Militar, onde servia na 2ª Bateria do 1º Regimento de Artilharia Montada. Passara cinco meses na prisão, antes de ser transferido para Alegrete. Prestes contraíra tifo, às vésperas do 5 de julho, ficando impossibilitado de promover a sublevação do 1º Batalhão Ferroviário. Desta feita, porém, tomara todo o cuidado para que a saúde não lhe pregasse outra peça.
Marcha para o Norte na véspera do Natal, a coluna se pôs em marcha. Depois de organizada, aguardara ainda algumas semanas, em São Luís, pelas armas que viriam através da Argentina - enviadas pela Divisão São Paulo. Metade da tropa estava bem armada, outra metade não.
Constatada a impossibilidade da remessa dos armamentos, os revolucionários decidem atacar Tupanciretã – 100 km a leste de São Luís. O 7º Regimento de Infantaria de a Brigada Militar recém chegado à cidade repele o ataque. A 27 de dezembro, evitando uma manobra de envolvimento realizada por sete colunas governistas, a Divisão Rio Grande toma a ponte sobre o rio Ijuí e embrenha-se na zona da mata, marchando por antigas picadas abertas pelos colonos alemães. Ultrapassando a região agreste, retornam ao campo aberto. No dia 3 de janeiro são alcançados pelas forças perseguidoras de Claudino Nunes Pereira, no Boqueirão de Ramada. O combate é feroz. As baixas nas fileiras revolucionárias são de 50 mortos e 100 feridos. Mas o adversário bate em retirada para Palmeiras. No dia 4, os revolucionários alcançam as matas marginais ao rio Uruguai, pelas quais prosseguem em direção à Santa Catarina. Prestes assinala que:
“As matas dos rios Uruguai e Iguaçu são talvez as mais densas do Brasil, não se podendo marchar a não ser através de picadas abertas a facão... Era difícil fazer com que os homens andassem pela mata mais de três ou quatro quilômetros por dia”. As condições da marcha são penosas, particularmente para os gaúchos acostumados a desmontar apenas para comer churrasco e beber chimarrão ao redor do fogo. A carne de panela tomou o lugar do churrasco. A cavalhada foi se enfraquecendo com a falta de pasto, e o terreno úmido embaraçavam a caminhada. Com seus ponchos transformados pela chuva constante em verdadeiras “cangalhas”, os gaúchos patinam e atolam na lama suas botas sanfonadas. Trazem o cavalo pelas rédeas e se obrigados a desfazer-se dele carregam a sela nas costas.
Sofrendo na própria carne as conseqüências desse tipo de marcha, o pernambucano João Alberto revelou que em certos momentos de maior dificuldade, chegara mesmo “a concordar com o preconceito gaúcho contra a infantaria”. Em seguida, afirma: “Marchar a pé não requer valentia, Mas tenacidade, estoicismo, dureza de fibra. São outras qualidades de caráter”.
No final de janeiro, a vanguarda da Divisão, composta pelo 2º Destacamento, atravessa o rio Uruguai e chega a Porto Feliz, em Santa Catarina. A travessia do grosso é lenta, feita em dezenas de canoas e leva vários dias. A medida que as tropas vão chegando, providenciam abastecimento e descansam. Tinham ainda um longo caminho pela frente: Mais de 30 léguas, pela densa mataria, até atingirem o estradão que serve de divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina e de ligação entre as cidades de Barracão e Palmas. Deserção do Tenente Gay A dureza da marcha produziu uma diferenciação entre os participantes. Temperou o ânimo da maioria. Mas abateu o de considerável número de combatentes. Ao longo de três semanas, desde que abandonaram o campo aberto, após o combate no Boqueirão de Ramada, diversas deserções aconteceram. Na Colônia Militar do Alto Uruguai, pouco antes da transposição do rio, mais de 200 gaúchos solicitaram permissão - e receberam - para abandonarem a tropa e passarem à Argentina.
Mais grave porém foi a atitude do tenente João Pedro Gay, até aquele momento comandante do 3º Destacamento da Divisão Rio Grande.
No dia 3 de fevereiro ele foi preso, a fim de ser submetido a um Conselho de Guerra. Dias antes de sua prisão, Prestes havia convocado uma reunião com os oficiais em função de denúncias que circularam sobre os maus propósitos do tenente. Ele foi advertido de que poderia ir embora, esse era um direito que, naquele momento, estava facultado a todo e qualquer combatente. Não poderia, no entanto, levar o armamento e a munição, por serem indispensáveis àqueles que optaram por prosseguir na luta. A reação do tenente foi chorar, dizendo estar sendo vítima de uma infâmia.
Mais tarde, interrogados por Prestes os soldados confirmaram que Gay, valendo-se da posição de comandante do Destacamento, estava procurando organizar uma deserção em massa.
A decisão do Conselho de Guerra foi a condenação do oficial à morte, por fuzilamento. A sentença não foi executada. Dois dias antes da data marcada, o tenente Gay fugiu. Prestes contou à sua filha, Anita Leocádia, que anos depois tomara conhecimento de que João Alberto se apiedara daquela alma e facilitara a sua fuga. Mas não há outros testemunhos que referendem a exatidão da assertiva.
O comando do 3º Destacamento foi assumido pelo tenente Siqueira Campos.
Ataque a Formigas no dia 6 de janeiro, o major Cabanas participa de uma reunião com os oficiais que respondem pela defesa de Catanduvas. O front havia sido recuado de Belarmino para aquela localidade. Embora a posição fosse mais segura, seus 600 defensores estavam sob pressão das tropas do coronel Álvaro Mariante, compostas de 2.200 homens. A conferência avalia a conveniência de um ataque a Formigas, atrás das linhas das forças sitiantes. O plano previa também uma incursão simultânea, a partir de Formigas e de Catanduvas, sobre as linhas do coronel Mariante, com o intuito de desorganizá-las. Como o general Rondon passava grande parte do tempo no acampamento de Formigas, acompanhando de perto a evolução da situação na frente de batalha, a possibilidade de capturá-lo dava novo alento às forças revolucionárias. A única possibilidade de execução dessas ousada ofensiva estava na exploração do elemento surpresa. Seria, portanto, indispensável a abertura de uma picada de 30 km, na mata, partindo do rancho de Sapucaí nas proximidades de Santa Cruz, até o acampamento inimigo..
Cabanas iniciaram a marcha no dia 11, com duas companhias do seu batalhão, a terceira seguiria dois dias depois. Eram ao todo 280 homens. O restante do 6º Batalhão de Caçadores continuaria a guarnecer a antiga posição, no rio Piquiri. No dia 18, haviam rasgado 25 km de mata e construído quatro pontes, uma das quais com 16 metros, sobre o rio Ano Novo. O ataque ocorreu na madrugada do dia 21. Surpreendida, a guarnição não pode fazer valer o peso de sua superioridade numérica.
O comandante geral das forças governistas, porém, não foi encontrado. Conta o major Cabanas:
“O primeiro prisioneiro que fiz deu-me a informação que o general Rondon, devido ao desconcerto de sua limusine, retardou a chegada a Formigas onde já deveria estar”.
Embora espetacular, a investida não surtiu o efeito desejado. Nas imediações do acampamento, o comando governista já havia concentrado forças de efetivo muito superior ao esperado pelos revolucionários.. Em pouco tempo, 600 homens do 2º Batalhão de Caçadores e 1.200 do coronel Varella convergem sobre ele. Durante toda a tarde, Cabanas resistiu ao assédio. À noite conseguiu escoar suas forças para a mata. Nem o general Rondon fora aprisionado, nem pode Cabanas atacar as linhas do coronel Mariante. E encontrou muitas dificuldades para retornar a Santa Cruz, o que só ocorreu em 1º de fevereiro.
Conversações de PazO deputado Batista Luzardo chegou a Foz do Iguaçu em 13 de fevereiro. Veio acompanhado de um capitão do Exército que trazia carta do general Eurico de Andrade Neves, comandante da 3ª Região Militar, sediada no Rio Grande do Sul. A carta propunha a abertura de conversações de paz, na cidade argentina de Posadas, onde já se encontrava o deputado João Simplício de Carvalho.Luzardo e Simplício representavam o Rio Grande na Câmara Federal. Mas seguiam orientações políticas distintas. O deputado Luzardo fora, até recentemente, um dos principais coronéis da força militar que combatia sob a bandeira do general Honório Lemes.
Em Posadas, para onde se desloca o general Isidoro, a conferência se estende nas preliminares sem chegar a um acordo.
Ainda que as conversações não tenham chegado a estabelecer um cessar-fogo, na prática ele vai se impondo no front de Catanduvas. No dia 24 de fevereiro, os 300 metros que separam as trincheiras inimigas são atravessados por soldados desarmados, de ambos os lados, dando início a uma grande confraternização que se prolonga por mais de quatorze horas. Não é sem dificuldade que os oficiais revolucionários e os governistas trazem seus comandados de volta às posições originais.
No dia 6 de março recomeçam as negociações, em Passo de los Libres. Simplício apresenta a proposta que recebera diretamente do presidente da República.
Pelas condições estabelecidas, os insurretos deveriam entregar todo o armamento em seu poder. O governo se comprometia a “deixar cair no esquecimento esse período de sacrifício e de luto”, empenhando-se para que o Congresso Nacional formulasse uma lei de anistia. Enquanto ela não fosse aprovada, os rebeldes deveriam entregar-se nas cidades indicadas pelo governo. O acordo de paz deveria ser assinado na cidade de Uruguaiana.
Os revolucionários consideraram inconsistentes as garantias oferecidas pelo governo. Firma em documento a posição de que não baixariam as armas enquanto não fosse revogada a Lei de Imprensa e adotados o voto secreto e o ensino público obrigatório.
Os negociadores solicitam tempo para novas consultas. Porém não voltariam mais a reunir-se formalmente.Operação Clevelândia
A 7 de março a Divisão Rio Grande chega a Barracão, no estado do Paraná, fazendo junção com as forças do coronel Fidêncio de Mello. Estabelecido como fazendeiro na região, o coronel era amigo do general João Francisco. Comandando uma força de 78 homens, havia providenciado a abertura de uma picada de Santo Antônio, em Santa Catarina, até a vila paranaense de Benjamin Constant, situada do outro lado do rio Iguaçu, de modo a permitir a ligação das duas divisões.
Barracão fica na antiga região do Contestado. De lá, até Foz do Iguaçu, onde estava instalado o Estado-Maior da Divisão São Paulo, a distância era de 90 km. Uma picada entre as duas localidades, aberta na mata por uma turma do Batalhão Cabanas, dirigida pelo tenente Gastão Maitre Pinheiro, estava em fase final de conclusão.
Mas a última coisa que passava pela cabeça de Prestes era atravessar o Iguaçu, conduzindo suas tropas ao interior do cerco montado pelo general Rondon à Divisão São Paulo.
Os destacamentos de Siqueira Campos e João Alberto foram lançados sobre Clevelândia e Palmas, na direção Leste, buscando uma junção com os 170 homens das forças paulistas que, dois dias antes da chegada da Divisão Rio Grande à região,haviam dispersado e perseguido o contingente governista que guarnecia Santo Antônio, Barracão e Campoerê. O objetivo da manobra era prosseguir até a Colônia Mallet e golpear a retaguarda de Rondon, de modo a forçar a abertura de uma brecha que permitisse o escoamento da Divisão São Paulo. Conta o tenente João Alberto:
“Durante” cinco ou seis dias, Siqueira e eu... marchamos juntos. Ao fim da semana, quando já nos aproximávamos do campo de Clevelândia,,, escalamos nossa tropa e coube-me a vanguarda. No mesmo dia, o 2º Destacamento chocou-se com uma coluna inimiga que... marchava em sentido oposto ao nosso. “Daí por diante foi um continuar de pequenos combates...”
Impossibilitados de cumprir a missão, Siqueira e João Alberto tratavam agora de retardar a progressão da tropa governista em direção a Barracão, fazendo uma “guerra de emboscadas” ao longo de “180 quilômetros”.
Frustrada a tentativa de efetuar a junção com o grosso da Divisão São Paulo fora do cerco estratégico, a Divisão Rio Grande prepara-se para iniciar a marcha para o Norte em direção ao rio Iguaçu. Siqueira e João Alberto são avisados para evitar o contato com o inimigo e rumar também para o Norte.
Em Barracão a situação é delicada. Convergem sobre o 1º Destacamento duas fortes colunas governistas. A primeira vem seguindo os revolucionários, através da mata, desde Porto Feliz. Na luta para retardá-la, ainda em Santa Catarina, tombara em combate, no dia 27 de janeiro, seu comandante, o tenente Mario Portela Fagundes. A outra, vinda do leste, é a que acabara de fazer abortar o ataque à retaguarda de Rondon. Prestes aguarda até o último instante. Ao anoitecer do dia 24 de março, simula um avanço do 1º Destacamento, sobre a coluna que vinha do Sul, obrigando-a a fixar-se à espera do ataque, na localidade denominada Maria Preta. Em seguida retira-se, sem permitir que a manobra seja detectada. Na escuridão da noite, as duas colunas governistas acabaram por se chocar, passando a trocar tiros entre si. Só na madrugada puderam verificar que o fogo amigo provocara 200 baixas.
Três dias depois, visando anteciparem-se à junção das duas divisões revolucionárias, as forças governistas desencadeiam uma violenta ofensiva contra a cidadela de Catanduvas.
A cada 20 segundos uma granada de artilharia explode nas trincheiras revolucionárias. Os combatentes que as defendem são assediados por 4.000 soldados comandados por 17 generais.
O major Cabano assim descreveu os últimos dias de Catanduvas:
“A artilharia inimiga rompeu vivíssimo fogo, contra nossas posições, ao mesmo tempo em que a infantaria caía com violenta carga de baionetas em todas as trincheiras e destacamentos isolados. Ao primeiro embate foi tomada, na ala direita, nossa posição denominada Cajati... no dia seguinte, o inimigo enveredou pelas matas, abrindo picadas contornou as trincheiras da ala (esquerda) e foi sátira a 2.500 metros, na retaguarda... interceptando completamente nossa ligação entre Catanduvas, minha coluna em Floresta e o posto de comando do general Costa... A noite avançava; os nossos soldados detonavam seus últimos cartuchos e a situação era gravíssima... Assim reuniu-se a oficialidade em conferência e tomaram a única solução viável no caso: a entrega da praça, devendo pôr-se imediatamente a salvo como pudessem o coronel Estilac Leal e o capitão Felinto Müller... Ao amanhecer de 30, o inimigo sabendo não existir mais um cartucho, dá o sinal de carga de infantaria, e na nossa trincheira principal, da frente, agita-se tristemente uma bandeira branca”.
A notícia do desastre colheu João Alberto em plena transposição do rio Iguaçu. Prestes, que já completara a travessia, movimenta o 1º Destacamento em marcha forçada para proteger o cruzamento da estrada Catanduvas-Cascavel- Benjamin-Iguaçu pelos destacamentos de Siqueira Campos e João Alberto. As tropas governistas, no entanto, não progrediram pela estrada, estacionando na posição conquistada. Sobre a rodovia foi então organizada uma nova frente de cobertura às forças revolucionárias que se concentrou em Santa Helena, porto fluvial sobre o rio Paraná, entre Porto Mendes e Foz do Iguaçu.
Logo após a travessia do rio Iguaçu, ainda em Benjamin Constant, no dia 3 de abril, o coronel Prestes e o general Miguel Costa mantiveram um encontro, no qual firmaram o compromisso de prosseguirem na luta, levando as tropas das duas divisões a movimentarem-se continuamente através do território nacional, até reunirem as forças necessárias à derrubada do governo. Para isso, seria necessário romperem imediatamente o cerco, passando ao estado do Mato Grosso. O Encontro das Divisões.
No dia 12 de abril, em Foz do Iguaçu, realiza-se o encontro decisivo entre diversos oficiais da Divisão Sã Paulo e o comandante da Divisão Rio Grande. A reunião contou com a presença do marechal Isidoro, que retornara da Argentina dois dias depois da queda de Catanduvas. O comando das forças paulistas que fora transferido ao general Padilha, na ocasião em que Isidoro recebera a promoção, estava agora sob a responsabilidade do general Miguel Costa.
Miguel Costa e Prestes sustentaram a posição do deslocamento imediato para o Mato Grosso. Mas a tarefa não era simples. Guaíra, posição revolucionária mais avançada ao norte e porta de acesso àquele estado, fora evacuada. A ordem, da qual Miguel Costa só tomou conhecimento após a execução, partira do marechal, que considerara inútil manter a cidade, depois da rendição de Catanduvas e de sufocados os levantes das guarnições mato-grossenses de Campo Grande e Ponta-Porã. As rebeliões do 17º Batalhão de Caçadores e do 11º Regimento de Cavalaria tinham sido deflagrados em 27 de março, dia do início da ofensiva governamental sobre Catanduvas. A síntese das decisões é relatada por Juarez Távora nos seguintes termos:“1. Considerar frustradas as tentativas de pacificação começadas, por iniciativa dos chefes do governista, em 16 de fevereiro”.2. Prosseguir as operações de guerra de acordo com as diretrizes baixadas pelo general Miguel Costa. 3.” Grupar numa divisão, sob o comando do general Miguel Costa, os remanescentes das forças paulistas, sob comando do tenente-coronel Juarez Távora, e os elementos chegados do Rio Grande do Sul, sob o comando do coronel Luís Carlos Prestes”.
O tenente-coronel Cabano acrescenta:“... sendo o plano da nova campanha de grande movimentação, acordaram os oficiais superiores, atendendo à idade e ao abatimento físico do marechal Isidoro, do general Padilha e bem assim ao delicado estado de saúde do coronel Estilac Leal, pedir aos três que ficassem no estrangeiro até que fosse possível retornarem ao exercício revolucionário”.Estilac havia sofrido um ferimento, por estilhaço de granada, no pescoço. Concentradas em Santa Helena, as forças revolucionárias escoaram suas tropas por uma picada de 30 km, passando por Porto Artaza até Porto Mendes, correndo a 5 km da margem do Paraná para evitar os cânions dos rios São Francisco Falso e São Francisco. A abertura dessa picada havia sido ordenada pelo general Miguel Costa ainda na primeira semana do mês de abril. Constatada a impossibilidade da retomada de Guairá, ao norte, Miguel Costa e Prestes decidiram atingir o Mato Grosso, passando através do território paraguaio. Para que a travessia do rio Paraná não fosse embaraçada pelas forças governistas que se aproximavam perigosamente de Porto Artazas, através da carroçável que partia de Lopeí, a leste, as forças revolucionárias desferiram um contra-ataque que as fez recuar 10 km. O Comandante Paraguaio João Alberto foi encarregado de apresentar ao comandante da guarnição paraguaia de Puerto Adela uma carta na quais os revolucionários expunham as suas razões:
“Por circunstâncias excepcionais e inapeláveis entramos armados no território de vossa Pátria”. Não nos move, neste passo extremo a que nos impelem as vicissitudes de uma luta leal, porém intransigente, pela salvação das liberdades brasileiras, nenhuma idéia de violência contra nossos irmãos da República do Paraguai. Datado de 26 de abril, o documento levava as assinaturas do general Miguel Costa; coronel Luís Carlos Prestes; tenentes-coronéis João Alberto, Juarez Távora, Cordeiro de Farias, João Cabanas; majores Coriolano de Almeida, Paulo Kruger da Cunha Cruz, Virgílio Ribeiro dos Santos; capitães Djalma Dutra, Ricardo Holl, Ary Salgado Freire, Lourenço Moreira Lima e Emídio Costa Miranda. Deixaram de assiná-lo, o tenente-coronel Siqueira Campos e outros oficiais que se achavam empenhados em ações de cobertura do grosso revolucionário. O comandante da guarnição paraguaia, porém, não era homem de muita conversa, conforme relata o próprio portador da carta:
“Os motores” fracos do Assis Brasil demoraram muito para vencer os 400 metros que nos separavam da margem oposta. Isso bastou para que o capitão paraguaio, comandante da tropa (50 homens) que vigiava e defendia a fronteira da república vizinha, pressentindo nossas intenções de invadir seu território, tomasse posição para repelir o nosso desembarque.
Eu não tinha nenhuma alternativa... desembarquei com o Nestor e uns poucos homens. O resto da tropa ficou detido a bordo... Confabulamos a igual distância de nossas tropas. Ele exigia que eu depusesse armas ou regressasse para o Brasil... Por duas vezes ele abandonou as negociações e voltou para junto de seus homens, dizendo que iria reagir... Pensei então em entrar em luta corporal com o capitão paraguaio a fim de evitar que ele me fuzilasse.
Afinal o capitão acedeu ao pleito revolucionário. Mas só depois de João Alberto assinar um documento no qual reconhecia que a anuência do comandante se devia à inferioridade numérica em que ele se encontrava frente às tropas brasileiras.
A travessia foi realizada em dois vapores: o Assis Brasil, recondicionado, meses antes, pelos revolucionários, em Porto Mendes, e o Bell, requisitado por eles em Puerto Adela. O deslocamento de toda a Divisão - 700 homens da Brigada São Paulo, 800 da Brigada Rio Grande, 600 animais de carga, sela e tração, todo o material bélico, inclusive uma bateria de artilharia - levou setenta e duas horas.
No dia 30 de abril, depois de marcharem 125 km, em território paraguaio, penetravam no estado de Mato Grosso pelos campos de Amambaí.
Epílogo Iniciava assim, sob o comando do general Miguel Costa, a terceira fase da Revolução de 1924: a Grande Marcha de 25 mil quilômetros, através de dez estados brasileiros, ao longo de quase dois anos.
As forças revolucionárias não conseguiram reunir o apoio necessário para derrotar a oligarquia cafeeira. Esta, porém, também não teve força para impor-lhes uma derrota estratégica.
Em 1927, candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, realiza a proeza de unificar chimangos e maragatos. Aí começa a gestação da nova onda revolucionária, que, em meados de 1929, se materializaria no amplo leque de forças que se aglutinou em torno de sua candidatura à presidência da República. Nele estariam reunidos os revolucionários de 22 e 24 e alguns de seus mais duros oponentes, no passado. Isolada, a oligarquia paulista não hesita em apelar mais uma vez para a fraude eleitoral. A resposta será a Revolução de 3 de outubro de 1930.